A consultora escocesa Wood Mackenzie alertou que a guerra no Médio Oriente e a escassez de energia acessível, que levaram à suspensão da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, em Moçambique, estão a desencadear uma crise sem precedentes no mercado global de alumínio, com potenciais efeitos devastadores em sectores como construção, embalagens, transporte e energia verde.
Citada pelo Engineering News, a entidade descreveu que “mesmo que a guerra terminasse amanhã, a Emirates Global Aluminium poderia levar até um ano para recuperar dos danos causados pelo ataque de míssil à sua fundição de Al Taweelah em Março”.
A consultora avançou que a Aluminium Bahrain, a maior fábrica de produção num único local fora da China, também foi atingida, embora a extensão dos danos seja desconhecida no momento, frisando que a empresa já havia reduzido a produção antes do ataque, assim como a Qatar Aluminium, devido à escassez de energia.
“Com a navegação pelo Estreito de Ormuz severamente restringida, a perda de produção poderá aumentar à medida que as fundições esgotarem os seus stocks de matérias‑primas, estimando‑se que o mercado global poderá apresentar um défice de oferta de até quatro milhões de toneladas métricas este ano”, enfatizou.
De acordo com a publicação, os compradores ocidentais serão os mais afectados, e os formuladores de políticas enfrentarão escolhas difíceis nas próximas semanas se quiserem amenizar o impacto. “No passado, o mercado poderia ter recorrido à Bolsa de Metais de Londres (LME) para obter metal adicional; no entanto, os stocks diminuíram nos últimos tempos”, destacou.
“O metal russo, ao qual muitos utilizadores ocidentais não podem ter acesso devido às sanções impostas após a invasão da Ucrânia, representava 270 mil toneladas do stock registado na LME até ao final de Março. Agora, os operadores disputam o componente não russo. Uma entidade cancelou 98 mil toneladas de alumínio indiano registado na LME na primeira semana de Março, apenas para recomprar a maior parte na semana passada, quando os spreads de tempo explodiram”, sustentou.
Segundo a consultora, existe capacidade ociosa em fundições localizadas principalmente nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa, que poderia ser reactivada para ajudar a aliviar a escassez de oferta física de metais. No entanto, grande parte dessa capacidade foi desactivada durante crises energéticas anteriores.
“A escassez global de energia acessível já estava a forçar mais encerramentos mesmo antes do início das hostilidades no Golfo, a destacar também a Mozal, uma unidade detida maioritariamente e operada pela australiana South32, que foi colocada em regime de manutenção e conservação depois de a empresa não ter conseguido obter um contrato de fornecimento de energia economicamente viável”, sustentou.
De acordo com a Wood Mackenzie, mesmo considerando uma maior produção reciclada e uma procura mais fraca devido ao impacto energético na actividade industrial, “não há como escapar a um grande défice no mercado global de alumínio nos próximos 18 meses, que será sentido com mais intensidade no Ocidente, o que forçará os governos a fazer escolhas difíceis”, concluiu.


























































