O Governo reconheceu nesta terça-feira, 14 de Abril, “pressão” sobre os postos de combustíveis localizados na cidade de Maputo, sul do País, que nos últimos dias têm registado filas enormes de automobilistas que querem abastecer, face a receios de ruptura de ‘stock’ e subida de preços devido ao conflito no Médio Oriente.
“Efectivamente, temos estado a acompanhar alguma pressão sobre as bombas. A informação existente é que há disponibilidade de combustíveis. Não podemos, neste momento, transmitir a mensagem sobre quantos dias ou quantas semanas o produto cobrirá, mas este é um assunto de seguimento diário ao nível do Governo”, esclareceu Salim Valá, porta-voz da reunião semanal do Conselho de Ministros.
O governante avançou que o assunto dos combustíveis constitui uma preocupação central da sociedade e da economia, interferindo directamente no desenvolvimento do País. “Muitas vezes, a forma como funciona a dinâmica económica é baseada em percepções e expectativas. Aquilo que se transmite, enquanto órgãos de comunicação social, também pode fazer com que as pessoas corram todas para as bombas ou mantenham a sua normalidade”, alertou.
O porta-voz do Conselho de Ministros recordou que Moçambique ainda não aumentou o preço dos combustíveis, contrariamente ao que já foi feito em vários países vizinhos. “Esta é uma possibilidade que poderá ocorrer, como aconteceu com outros países. Mas vamos aguardar e gerir este momento difícil, esperando que a situação no Médio Oriente se normalize”, afirmou.
Recentemente, o Presidente da República, Daniel Chapo, alertou para a subida dos preços de combustíveis nos próximos meses, caso a guerra no Médio Oriente continue, mas tranquilizou os cidadãos garantindo reservas para aguentar por algum tempo.
“Talvez para finais de Abril ou princípios de Maio, de acordo com os cálculos feitos, é que vamos começar a verificar o aumento dos preços, caso a guerra continue. Contudo, ainda temos um período de um mês e meio para aguentarmos”, avançou o governante.
“Trata-se de um fundo que tem vindo a ser utilizado à medida que ocorrem crises desta natureza, e nós já tivemos o conflito Rússia-Ucrânia que determinou que o nosso país fizesse uso das verbas em resultado do incremento bastante significativo do preço dos combustíveis. Neste momento, os recursos correm em torno de 5,2 milhões de euros”, declarou.
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão, tendo matado, durante a ofensiva, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Em contrapartida, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializado por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.























































