Os militares dos Estados Unidos da América (EUA) iniciaram, nesta segunda-feira (13) um bloqueio aos navios que partem dos portos iranianos, anunciou o Presidente norte-americano Donald Trump, e Teerão ameaçou retaliar contra os portos dos seus vizinhos do Golfo depois das negociações do fim-de-semana terem fracassado e não haver qualquer sinal de uma rápida reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump afirmou que o Irão entrou em contacto exactamente na segunda‑feira e demonstrou interesse em chegar a um acordo. Por seu lado, o Paquistão, que mediou o encontro entre delegações dos dois países, disse que as conversações não estão concluídas, mas apenas suspensas.
O Presidente dos EUA anunciou, no final da reunião, que Washington iria bloquear os navios iranianos e quaisquer embarcações que pagassem portagens ao Irão, acrescentando que todos os navios iranianos estariam sujeitos a um “ataque imediato” caso se aproximassem do bloqueio.
O brigadeiro‑general Reza Talaei‑Nik, porta‑voz do Ministério da Defesa do Irão, alertou que os esforços de militares estrangeiros para policiar o estreito agravariam a crise e a instabilidade da segurança energética global.
O Comando Central Regional das Forças Armadas dos EUA afirmou que o bloqueio seria “aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações” que entrassem ou saíssem de portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. “O bloqueio não impedirá a passagem de trânsito neutro pelo Estreito de Ormuz com destino ou origem em países não iranianos”, sublinhou o Comando em comunicado.
Um porta‑voz militar iraniano classificou quaisquer restrições impostas pelos EUA à navegação internacional como “pirataria”, advertindo que, se os portos iranianos forem ameaçados, nenhum porto no Golfo Pérsico ou no Golfo de Omã estará seguro.
NATO, inimigos dos EUA
Os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) afirmaram nesta segunda‑feira que não participarão no plano de Donald Trump para bloquear os portos iranianos, propondo intervir apenas após o fim dos combates. No fim‑de‑semana, Trump dissera que os Estados Unidos trabalhariam com outros países para bloquear a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, mas o silêncio das capitais europeias já indiciava que tal não aconteceria.
O Reino Unido e a França confirmaram nesta segunda‑feira que não se envolverão no conflito através do bloqueio, afirmando, em vez disso, que estão a trabalhar numa iniciativa para manter o estreito aberto. A recusa representa mais um ponto de tensão com Trump, que ameaçou retirar os EUA da aliança militar e pondera retirar algumas tropas norte‑americanas da Europa.
“Não estamos a apoiar o bloqueio”, disse o primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer, à BBC. “A minha decisão foi muito clara: seja qual for a pressão — e houve uma pressão considerável — não vamos deixar‑nos arrastar para a guerra”, acrescentou.
O secretário‑geral da NATO, Mark Rutte, disse aos Governos europeus que Trump pretende compromissos concretos num futuro próximo para ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz, mas terá ficado sem resposta. Rutte recordou na semana passada que a NATO poderia desempenhar um papel no estreito se os seus 32 membros chegassem a acordo sobre a formação de uma missão, algo para o qual nenhuma capital europeia manifestou disponibilidade.
Fonte: Jornal Económico























































