A Zâmbia poderá perder cerca de 100 milhões de dólares em receitas devido à perturbação no Estreito de Ormuz, provocada pela guerra no Irão. O prejuízo, segundo o ministro das Finanças da Zâmbia, Situmbeko Musokotwane, resulta de uma suspensão de três meses das taxas sobre combustíveis, destinada a proteger os cidadãos do aumento dos preços do petróleo causado pelo conflito.
“São 100 milhões de dólares em receitas fiscais que se perdem”, afirmou Musokotwane numa entrevista em Washington, na segunda-feira (13), onde participa nas reuniões da Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
“Este é o dinheiro de que precisamos para diversas actividades e serviços essenciais”, acrescentou.
Vários países em todo o mundo, incluindo a Zâmbia, têm enfrentado o aumento dos custos de energia em consequência da guerra. Em particular, o bloqueio do Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% dos envios mundiais de petróleo — tem sido determinante.
Devido a esta situação, os países dependentes de importações de combustível têm sido os mais afectados. No caso da Zâmbia, que tem pouca ou nenhuma capacidade de produção ou refinação de crude, o impacto externo do conflito tem sido especialmente prejudicial para a economia.
Segundo a Bloomberg, a perturbação surge numa altura em que o país da África Austral atravessa um processo de reestruturação da dívida, podendo a perda de receitas comprometer os esforços para reduzir o défice orçamental para 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no actual ano fiscal.
Musokotwane salientou ainda que a principal prioridade passou a ser garantir o abastecimento adequado de combustível.
“A segunda consequência, e talvez ainda mais difícil — e não sabemos quanto tempo irá durar — é simplesmente a disponibilidade do produto energético”, afirmou.
Para além da perda resultante da suspensão das taxas sobre combustíveis, o ministério está a preparar uma revisão do orçamento do ano fiscal em curso para acomodar o impacto mais amplo do choque energético nas receitas.
“Espero sinceramente que consigamos encontrar uma forma de proteger o sector mineiro de tudo isto”, concluiu o ministro das Finanças.























































