O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, criticou duramente o Papa Leão na noite deste domingo (12), num ataque directo e invulgar ao líder da Igreja Católica, com 1,4 mil milhões de fiéis, que gerou imediatas críticas por parte dos crentes.
O governante, numa aparente resposta às crescentes críticas do Papa à guerra entre os EUA e Israel contra o Irão e às políticas de imigração de linha dura da Administração Trump, afirmou que Leão era “terrível”.
“O Papa Leão é fraco no combate ao crime e terrível em política externa”, escreveu Trump numa publicação na rede Truth Social.
Católicos nas redes sociais criticaram rapidamente Trump por atacar o líder da sua Igreja, que acreditam ser o sucessor de São Pedro, um dos 12 apóstolos de Jesus.
“Já não há qualquer ambiguidade quanto à situação”, disse à Reuters Massimo Faggioli, especialista no papado, comparando os comentários com os esforços dos líderes da Alemanha e de Itália durante a Segunda Guerra Mundial para levar o falecido Papa Pio XII a apoiar as suas causas.
“Nem Hitler nem Mussolini atacaram o papa de forma tão directa e pública”, afirmou Faggioli.
O arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, disse ter ficado consternado com os comentários de Trump. “O Papa Leão não é seu rival; nem o Papa é um político. É o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e pelo cuidado das almas”, sublinhou em comunicado.
Papa Leão pronuncia-se sobre a guerra e a imigração
Leão, natural de Chicago, é o primeiro papa norte-americano. Conhecido por escolher cuidadosamente as palavras, tem-se destacado nas últimas semanas como um crítico assumido da guerra com o Irão e denunciou a “loucura da guerra” num apelo à paz no sábado (11).
No ano passado, questionou se as políticas de imigração da Administração Trump estavam em conformidade com os ensinamentos pró-vida da Igreja. “Alguém que diz: ‘sou contra o aborto, mas concordo com o tratamento desumano dos imigrantes nos Estados Unidos’, não sei se isso é pró-vida”, salientou o pontífice em Setembro do ano passado.
Trump escreveu neste domingo (12) que “Leão devia pôr-se na linha como Papa”, dizendo mais tarde aos jornalistas que “não era grande fã” do pontífice.
O ataque de Trump a Leão incluiu também a acusação de ser “fraco em matéria de armas nucleares”, poucos dias depois de o Papa ter afirmado que a ameaça do Presidente dos EUA de destruir a civilização iraniana era “verdadeiramente inaceitável”.
Num discurso no Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa disse que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e têm as “mãos cheias de sangue”, classificando o conflito com o Irão como “atroz”. Leão apelou também a Trump para encontrar uma “saída” para pôr fim ao conflito e “reduzir o nível de violência”.
O Presidente teve também uma relação conturbada com o predecessor de Leão, Papa Francisco, que criticou as propostas de política de imigração de Trump quando este se candidatou pela primeira vez à presidência e sugeriu que Trump “não era cristão”. Trump chegou a chamar Francisco de “vergonhoso” no início de 2016
Na sua publicação, Trump sugeriu que Leão só foi eleito líder da Igreja Católica no ano passado “por ser americano, e por acharem que essa seria a melhor forma de lidar com o Presidente Donald Trump”.
O Vaticano não respondeu de imediato a um pedido de comentário. O Papa vai partir nesta segunda-feira (13) para uma ambiciosa digressão de dez dias por quatro países africanos.
Leão apelou a uma “reflexão profunda” sobre a forma como os migrantes estão a ser tratados nos Estados Unidos. O apelo do Papa a uma abordagem mais compassiva à imigração — um sentimento partilhado por vários dos seus predecessores — contrasta com a posição de Trump, que tem defendido que os EUA devem restringir a imigração proveniente de países em desenvolvimento para reduzir o crime.
“Ele é uma pessoa muito liberal e um homem que não acredita em travar o crime”, disse Trump aos jornalistas na noite de domingo (12).
O Presidente teve também uma relação conturbada com o predecessor de Leão, Papa Francisco, que criticou as propostas de política de imigração de Trump quando este se candidatou pela primeira vez à presidência e sugeriu que Trump “não era cristão”. Trump chegou a chamar Francisco de “vergonhoso” no início de 2016.
Fonte: Reuters





















































