Os preços do petróleo voltaram a negociar com fortes valorizações nesta segunda-feira, 13 de Abril, depois de no conjunto da semana passada terem registado uma queda de mais de 10%. A impulsionar os preços está o facto de os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão não terem conseguido chegar a um acordo durante as negociações em Islamabad, capital do Paquistão, o que levou Donald Trump a anunciar que as forças americanas vão começar a bloquear todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos a partir das 10h, hora de Nova Iorque, desta segunda-feira (16h em Maputo).
O Brent – de referência para a Europa – sobe agora 7%, para os 101,86 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 7,44% para os 103,75 dólares por barril.
Noutras matérias-primas, também o gás natural negociado na Europa chegou, neste domingo (12), a disparar mais de 17% e regista agora ganhos de mais de 7%, para os 46,950 euros por megawatt-hora.
Apesar de o Presidente Donald Trump ter dito a jornalistas que a acção de bloqueio planeada seria muito eficaz, analistas temem que a decisão adicione uma nova camada de incerteza ao conflito, podendo, em último caso, levar a uma nova escalada da guerra no Golfo Pérsico. Além do bloqueio do Estreito de Ormuz, o líder norte-americano e os seus conselheiros estarão, também, a considerar retomar ataques limitados contra o Irão, informou o Wall Street Journal.
Do lado de Teerão, o conselheiro militar do líder supremo do Irão, Mohsen Rezaee, afirmou que o país “não permitirá” tal embargo dos EUA e acrescentou que dispõe de meios para o contrariar.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico aos mercados globais (zona por onde passava cerca de 20% de todo o gás natural e crude consumidos a nível mundial antes do início da guerra) encontra-se efectivamente fechado desde que os EUA e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão no final de Fevereiro. Nesta segunda‑feira, dois petroleiros estarão a tentar sair do golfo através do estreito, tornando‑se nas primeiras embarcações a tentar utilizar esta via marítima desde que Washington anunciou o bloqueio, segundo dados citados pela Bloomberg.
Para Michael Ratney, antigo embaixador norte‑americano na Arábia Saudita, a medida introduz “um enorme elemento de risco adicional”, afirmou em entrevista à Bloomberg TV. E, com alguns navios a transportar petróleo com destino à China, questionou: “irá a Marinha dos EUA bloquear esses navios e, assim, provocar uma crise nas relações entre os EUA e a China?”. O Irão continuou a exportar crude em Março, tendo a China como principal destino, embora os fluxos tenham diminuído face ao mês anterior.
“Parece‑me uma solução bastante ambiciosa, e que não resolve o problema da interrupção”, afirmou, por sua vez, Mona Yacoubian, directora do Programa do Médio Oriente no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, à mesma agência financeira, a propósito do plano de bloqueio norte‑americano. “É difícil compreender o sentido disso”, sublinhou.
A verdade é que, se o Irão sentir que as suas exportações de petróleo, responsáveis por grande parte das receitas do país, estão ameaçadas, poderá pressionar os Houthis no Iémen a atacar o tráfego marítimo em Bab el‑Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho. Este estreito é, tal como Ormuz, uma das rotas comerciais mais movimentadas do mundo, por onde passa entre 10% e 12% do comércio marítimo global.
Neste contexto, os fluxos de petróleo através do Mar Vermelho ganharam importância desde o início da guerra, uma vez que a Arábia Saudita aumentou o volume transportado pelos oleodutos que atravessam o país até ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. No domingo, Riade anunciou ter restaurado a capacidade total do oleoduto Este‑Oeste, bem como a produção do campo de Manifa, após estas infra‑estruturas terem sofrido danos em ataques iranianos.

























































