O Papa Leão XIV visitará quatro países africanos entre 13 e 23 de Abril, segundo anunciou o Vaticano, realizando, assim, a sua primeira grande viagem internacional de 2026 ao continente onde a Igreja Católica cresce mais rapidamente.
Durante a deslocação, o Bispo de Roma passará por Angola, Argélia, Guiné Equatorial e Camarões, onde deverá mobilizar grandes multidões, incentivar líderes a reforçarem o apoio ao desenvolvimento do continente e sublinhar a importância do diálogo entre católicos e muçulmanos.
Segue-se um enquadramento dos países que o Pontífice irá visitar.
Angola

Após décadas de conflitos sangrentos no século XX, Angola tornou-se um dos principais produtores de petróleo da África Subsaariana, sendo este o sector responsável por cerca de 95% das exportações.
A população, estimada em 36,6 milhões de habitantes, continua a enfrentar pobreza extrema, com mais de 30% a viver com menos de 2,15 dólares por dia, segundo dados do Banco Mundial.
O país tornou-se independente de Portugal em 1975, após uma guerra de 13 anos, tendo mergulhado posteriormente numa guerra civil que durou 27 anos.
José Eduardo dos Santos, segundo Presidente de Angola, governou durante 38 anos, sendo que João Lourenço, antigo ministro da Defesa, assumiu a Presidência em 2017 e deverá concluir o seu segundo mandato em 2027.
Lourenço tem sublinhado a necessidade de diversificar a economia, mas enfrenta críticas crescentes devido ao elevado desemprego, à falta de reformas democráticas e ao seu registo em matéria de direitos humanos, acusações que o Governo rejeita.
O português é a língua mais falada. Cerca de 80% da população identifica-se como cristã, sendo mais de metade católica.
Argélia

Em 2019, o movimento de protesto, Hirak, desencadeou algumas das mudanças políticas mais significativas da história recente da Argélia, pondo termo a duas décadas de poder do Presidente Abdelaziz Bouteflika e conduzindo a reformas constitucionais.
Sete anos depois, o actual Presidente, Abdelmadjid Tebboune, mantém um poder considerável, sendo que críticos defendem que pouco mudou de forma estrutural.
Ainda assim, o país é um dos mais estáveis numa região volátil que inclui a Líbia e Estados do Sahel como Mali e Níger.
Do ponto de vista económico, a Argélia beneficiou da subida dos preços globais da energia, com o Produto Interno Bruto (PIB) a atingir cerca de 270 mil milhões de dólares em 2024.
O Cristianismo floresceu na antiga região romana que inclui a actual Argélia nos primeiros séculos do primeiro milénio. Leão XIV visitará Annaba, cidade portuária no leste que foi residência de Santo Agostinho de Hipona.
O país, com cerca de 48 milhões de habitantes, é actualmente quase totalmente muçulmano sunita, sendo os católicos menos de 10 mil, segundo o Vaticano.
Camarões

Os Camarões são governados, há mais de quatro décadas, por Paul Biya, que, aos 93 anos, é o Presidente mais idoso do mundo. Esta será a quarta vez que acolhe uma visita papal.
Biya, católico, beneficia de um sistema de clientelismo enraizado, de um exército leal e de uma oposição dividida. Garantiu um oitavo mandato nas eleições de Outubro passado, nas quais o seu principal adversário foi outrora porta-voz do seu Governo.
Fontes das Nações Unidas indicaram à Reuters que forças de segurança camaronesas mataram 48 civis na repressão de protestos subsequentes.
Antiga colónia alemã, o país foi dividido entre o Reino Unido e a França após a Primeira Guerra Mundial. Produtor de petróleo e cacau, enfrenta sérios desafios de segurança.
No norte, sofre, há anos, ataques do grupo insurgente Boko Haram, com base na vizinha Nigéria. Nas duas regiões anglófonas do oeste, subsiste um conflito que já causou milhares de mortos desde 2017.
A visita de Leão XIV deverá trazer nova atenção aos esforços para resolver este conflito, estando prevista a presidência de um encontro de paz numa catedral em Bamenda, a maior cidade anglófona do país.
Guiné Equatorial

O Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo está no poder na Guiné Equatorial desde 1979, sendo o chefe de Estado há mais tempo em funções no mundo.
Supervisionou um boom petrolífero iniciado na década de 1990, que atraiu grandes empresas norte-americanas. Contudo, com a diminuição das receitas do petróleo, a economia encontra-se actualmente em retracção.
Frequentemente criticado como um dos regimes mais repressivos da região, o país “detém frequentemente opositores, reprime a sociedade civil e censura jornalistas”, segundo a organização Freedom House.
O Governo nega as acusações de abusos de direitos humanos e corrupção.
A Reuters noticiou, em Janeiro, que o Governo começou a receber deportados de países terceiros provenientes da administração de Donald Trump, forçando alguns a regressar aos seus países de origem, apesar de protecções concedidas por juízes de imigração norte-americanos.
Leão XIV é o segundo Pontífice a visitar o país, depois de João Paulo II em 1982. Mais de 70% da população, estimada em 1,8 milhão, identifica-se como católica.
Fonte: Reuters

























































