O Governo reiterou, nesta sexta-feira (10), em Maputo, que pretende avançar com a digitalização do sistema de licenciamento e exportação de produtos florestais, uma medida destinada a reduzir o contrabando de madeira, reforçar a fiscalização e aumentar a transparência no sector. A informação foi avançada pelo director nacional de Florestas, Imede Falume.
Segundo a Agência de Informação de Moçambique, Imede Falume falava à margem do seminário de apresentação do “Draft Zero” do Plano Estratégico da Federação Moçambicana de Operadores Florestais (FEDEMOMA) para o período 2026-35, onde reiterou que a introdução de sistemas digitais representa um avanço significativo na gestão do sector, reduzindo as oportunidades de fraude e melhorando o controlo das operações.
“Introduzimos melhorias no processo de gestão. Estamos a falar concretamente do sistema digital de controlo das licenças. A margem para o contrabando de madeira utilizando documentos falsos reduz-se bastante”, afirmou.
O responsável acrescentou que o controlo das exportações de madeira e outros produtos florestais também passará a ser feito de forma integralmente digital.
“Vamos introduzir o sistema digital de exportação. Todo o processo será feito por via digital”, garantiu.
Falume explicou ainda que as autoridades estão a analisar com rigor os cerca de 20 pedidos submetidos pelos operadores, tendo acrescentado que, relativamente à exploração de carvão vegetal, existem dificuldades na georreferenciação das áreas de exploração.
“O sistema está preparado para o operador indicar onde vai explorar o carvão, mas há dificuldade em apresentar a georreferência da área”, explicou.
Referiu que o Governo está a trabalhar com a Federação Moçambicana de Operadores Florestais (FEDEMOMA) na capacitação dos operadores para o uso de ferramentas de georreferenciação, com vista a melhorar a rastreabilidade.
“A exportação de madeira caiu de cerca de 505 mil metros cúbicos em 2015 para aproximadamente 64 mil nos últimos anos”
Jorge Chacate – presidente da FEDEMOMA
Por sua vez, o presidente da FEDEMOMA, Jorge Chacate, defendeu uma acção coordenada entre o Estado e os operadores para combater a exploração ilegal.
“Proteger quem trabalha nas florestas é um dever político. Há denúncias de licenças alugadas e de operadores que usam licenças de carvão para exploração ilegal em concessões e áreas de conservação”, revelou.
Segundo Chacate, “persistem também irregularidades na utilização de guias de trânsito de madeira”, referindo-se a casos de guias que chegam ao destino sem serem assinadas, permitindo a sua reutilização.
O dirigente destacou que o sistema de informação florestal foi concebido para reduzir a intervenção humana e eliminar práticas irregulares.
O presidente da FEDEMOMA afirmou que “a exportação de madeira caiu de cerca de 505 mil metros cúbicos em 2015 para aproximadamente 64 mil nos últimos anos”.
Apesar da redução, considerou que o plano estratégico da federação representa um avanço na organização do sector.


























































