O Governo está a preparar um conjunto de medidas para mitigar os impactos de eventuais aumentos dos preços dos combustíveis, num contexto marcado pela imprevisibilidade dos mercados internacionais devido à guerra no Médio Oriente, escreveu a Lusa.
A informação foi avançada, em Maputo, por Felisbela Cunhete, directora da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), que alertou para a dificuldade de prever a evolução dos preços face ao actual cenário geopolítico.
“Em relação à questão dos preços do combustível no mercado internacional, há muita imprevisibilidade. É muito difícil, nesta altura, fazer alguma previsão, tendo em conta o que decorre no contexto geopolítico”, afirmou Felisbela Cunhete.
Segundo a responsável, entre Janeiro e Fevereiro registou-se alguma estabilidade dos preços. No entanto, a situação alterou-se em Abril, com um agravamento significativo dos custos de importação e do próprio produto.
“A partir de Abril registou-se um agravamento dos preços de importação. Refiro-me aos preços FOB [Free on Board], que correspondem ao valor do produto no ponto de embarque, sem incluir transporte e seguros, e ao preço do próprio produto, decorrente do conflito”, explicou Felisbela Cunhete.
A directora da DNHC destacou ainda o impacto da interrupção da circulação pelo Estreito de Ormuz, uma rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e uma parte significativa do gás natural liquefeito transportado por via marítima.
Com o recente anúncio de tréguas entre os Estados Unidos da América e o Irão, os mercados começaram a reagir positivamente. Ainda assim, Felisbela Cunhete alertou que as infra-estruturas energéticas afectadas pelo conflito poderão demorar a ser repostas.

“Tanto as infra-estruturas de produção, como as refinarias e as infra-estruturas de logística e transporte de combustíveis sofreram. A reposição desses danos poderá levar algum tempo”, referiu Felisbela Cunhete.
Perante este cenário, o Governo admite que os custos mais elevados de importação poderão reflectir-se no mercado nacional. Por isso, já prepara medidas para mitigar o impacto, reconhecendo que o preço do combustível tem um efeito multiplicador em toda a economia.
“Quando chegar o momento, vamos tomar várias medidas nos transportes públicos. Mesmo que o preço aumente, o Estado moçambicano terá de subsidiar o combustível, para que o povo continue a pagar o mesmo preço de transporte”, afirmou Daniel Chapo, prometendo comunicar atempadamente qualquer subida e afastando a existência de uma crise de combustíveis no País.

























































