Moçambique possui alguns dos recursos minerais mais promissores do mundo, mas ainda não conseguiu transformar esse potencial em investimento consistente. O alerta foi lançado por Cherie Leeden, executiva americana experiente no sector global de recursos minerais e CEO da NV Resources – empresa norte-americana especializada na geração de projectos minerais -, durante uma apresentação sobre minerais críticos no País, nesta quarta-feira (8), no campus da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
Com base na sua experiência directa no terreno, a especialista observou que o País possui uma “geologia de nível mundial” e uma base de dados geológica sólida – factores que, em teoria, deveriam atrair investidores internacionais. No entanto, o capital continua a fluir para outros destinos.
Segundo Leeden, o principal obstáculo reside na percepção do risco. “O capital é global e móvel. Dirige-se para onde há previsibilidade, regras claras e estabilidade”, afirmou, salientando que Moçambique ainda transmite incerteza em várias dessas áreas.
Nos últimos anos, a executiva tem trabalhado em províncias como Tete, Cabo Delgado, Niassa e Manica, onde identificou uma vasta gama de recursos, desde grafite e rubis até gás natural e minerais pesados. Na sua opinião, poucos países combinam uma variedade tão grande com tanto potencial inexplorado.
Um dos exemplos mais evidentes é a grafite encontrada em Cabo Delgado, considerada um dos maiores depósitos do mundo. Este recurso é essencial para as baterias de iões de lítio, cuja procura tem vindo a aumentar no âmbito da transição energética global. Ainda assim, Moçambique representa apenas uma pequena parte da produção mundial.
Apesar das suas vantagens naturais, “o clima de investimento continua a ser um obstáculo”. A executiva referiu a burocracia, os atrasos na tramitação, a instabilidade regulatória e as dificuldades na obtenção de licenças como alguns dos principais problemas enfrentados pelas empresas.
Outra questão crítica, segundo a especialista, é o sistema de licenciamento. “Muitas áreas com potencial continuam bloqueadas por licenças inactivas, o que impede a entrada de novos investidores no mercado”, disse. Em vários casos, acrescentou Leeden, essas licenças nem sequer cumprem requisitos básicos, como o pagamento de taxas.
“A situação é agravada pelas limitações das infra-estruturas, nomeadamente nos sectores da energia e dos transportes, bem como pelas preocupações em matéria de segurança no norte do País. Estes factores aumentam os custos e reduzem a competitividade no cenário internacional”, sublinhou Cherie.
Entretanto, a responsável chamou também a atenção para a mineração ilegal, que, segundo afirmou, “tem vindo a aumentar em várias regiões africanas, trazendo poucos benefícios locais e causando danos ambientais”. Para Leeden, o combate a estas práticas deve ser uma prioridade.
Para a especialista, Moçambique tem potencial para se tornar um interveniente de destaque no mercado global de minerais essenciais. “Os recursos existem. O desafio é criar as condições para que o investimento se concretize”, concluiu.
Texto: Germano Ndlovo

























































