Uma obrigação de sustentabilidade destinada a integrar mineiros artesanais em cadeias de fornecimento formais será testada este ano por uma empresa de consultoria sediada no Canadá (Veridicor) e pela mineradora de cobre de média dimensão da Zâmbia, Metalex Commodities, anunciaram as empresas.
A mineração artesanal assegura meios de subsistência a centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. No continente africano, opera frequentemente de forma informal em ou nas proximidades de minas exploradas por empresas, afectando os seus lucros, contribuindo para a poluição e privando os Estados de receitas.
A proposta de “obrigação de prosperidade das partes interessadas”, desenvolvida pela empresa Veridicor em parceria com a Metalex Commodities, pretende responder a estes desafios, afirmou Rob Karpati, director‑financeiro da iniciativa.
“Em vez de afastar os mineiros artesanais das terras, este modelo profissionaliza‑os”, assegurou.
O instrumento liga os retornos dos investidores a resultados sociais e ambientais previamente definidos para trabalhadores, comunidades e economias anfitriãs, em vez de depender da produção.
A emissão inicial deverá angariar entre 100 e 200 milhões de dólares até ao final do ano, para ajudar a Metalex Commodities a integrar mineiros artesanais e de pequena escala através de acordos regulados de compra de produção, bem como de investimentos partilhados em infra‑estruturas e equipamento.
Potenciais investidores
Entre os potenciais investidores contam‑se fundos europeus de obrigações de sustentabilidade, investidores de impacto e do sector mineiro, bancos e indivíduos de elevado património com enfoque na sustentabilidade, indicaram as entidades.
A Zâmbia, segundo maior produtor africano de cobre, alberga dezenas de milhares de mineiros artesanais, incluindo nas áreas abrangidas pela licença da Metalex no noroeste do país.
“As grandes minas tendem a ser a âncora destas obrigações, uma vez que precisam de constar no balanço de uma entidade. Acabam por beneficiar financeiramente, pois garantem o fornecimento, enquanto os mineiros artesanais também beneficiam, ao receberem um preço justo, sem depender de intermediários predatórios”, afirmou Karpati.
“Em vez de afastar os mineiros artesanais das terras,
Rob Karpati – director-financeiro da iniciativa
este modelo profissionaliza-os”
As minas industriais estarão no centro de cada estrutura de obrigação para apoiar o reembolso, enquanto os termos ligados à sustentabilidade ajustarão as taxas de juro com base no desempenho social e ambiental, acrescentou o director-financeiro da iniciativa.
O fundador e director-executivo da Metalex, Ayo Sopitan, afirmou que a obrigação permitirá à empresa desenvolver programas de grande escala para integrar mineiros artesanais na sua cadeia de fornecimento.
“Planeamos obter cerca de 30% do nosso minério a partir de mineiros locais formados e licenciados. A obrigação permite-nos fazê-lo numa escala muito maior do que aquela que o nosso balanço permitiria por si só”, explicou.
Fonte: Reuters



























































