Após mais de cinco semanas de conflito, os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão conseguiram, finalmente, alcançar um acordo de cessar-fogo temporário – e os mercados reagiram com grande euforia às notícias. Os preços do petróleo observaram a maior queda em seis anos e as principais praças asiáticas quase conseguiram apagar por completo as perdas registadas desde o arranque da guerra no último dia de Fevereiro. As bolsas europeias devem seguir o mesmo caminho, com os futuros do Euro Stoxx 50 a dispararem mais de 5%.
O acordo de cessar-fogo não significa o fim da guerra, mas as duas partes comprometeram-se a acabar com as hostilidades durante duas semanas. O Irão também garantiu aos EUA que iria permitir a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz durante esse período – um movimento que vai ajudar a restabelecer os fluxos de petróleo no mundo, depois de a interrupção da navegação nesta via marítima ter provocado a maior crise energética da história recente.
O benchmark para a negociação asiática – MSCI Asia Pacific – saltou 5,1% nesta quarta-feira (8), atingindo máximos de cinco semanas, numa altura em que os investidores antecipam que a queda nos preços do petróleo contenha a inflação e reviva o crescimento económico. Também nos EUA a euforia se faz sentir, embora em menor escala, com os futuros do S&P 500 a avançarem mais de 2,7%.
As grandes movimentações são prova de como os mercados estavam com os “nervos em franja” devido à situação no Médio Oriente. Horas antes do cessar-fogo ter sido anunciado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou aniquilar toda a civilização iraniana caso o país decidisse manter o Estreito de Ormuz fechado, levantando preocupações de uma nova escalada no conflito que agravasse – ainda mais – as perdas da maioria das principais praças globais.
“Por enquanto, isto é um alívio para os mercados – a situação acalmou”, declara Hiroyuki Ueno, estratega-chefe da Sumitomo Mitsui Trust Asset Management, à Bloomberg. “Mas não há garantias de que tudo corra bem a partir daqui e os investidores não devem deixar-se levar pelo entusiasmo”, acrescenta, referindo que este acordo representa apenas uma pausa temporária na guerra e que a nova ronda de negociações só arranca na sexta-feira.
Entre as principais movimentações por praça, o sul-coreano Kospi liderou os ganhos regionais ao disparar mais de 7% nesta quarta-feira, depois de ter sido uma das principais praças penalizadas pelo estalar do conflito no Médio Oriente. Já o japonês Nikkei 225 escalou 5,40% e os chineses Hang Seng e Shanghai Composite aceleraram 3,21% e 2,51%, respectivamente. Pela Índia também se celebra o acordo, com o Nifty 50 a ganhar mais de 3%.

























































