A KwikMo é uma startup ganesa fundada em Novembro do ano passado, por Ernest Ofosu, que consiste num modelo de comércio digital, baseado no produto da Meta, o WhatsApp, para apoiar pequenos vendedores locais.
De acordo com o site Disrupt Africa, a solução permite aos comerciantes registarem-se e listarem os seus produtos directamente através do WhatsApp, ao disponibilizar navegadores que permitem aos clientes percorrer catálogos, adicionar produtos ao carrinho e efectuar pagamentos via mobile money, sem sair do próprio aplicativo de mensagens.
O fundador explica que o desenvolvimento da plataforma foi rápido. “Desenvolvi o MVP em dois dias – integração com a API do WhatsApp Business, arquitectura multi-vendedor, pagamentos via Paystack MoMo e gestão de encomendas em tempo real, tudo com Cloudflare Workers.”
A validação inicial do projecto ocorreu durante a participação de Ofosu no evento local de comércio e empreendedorismo, GH Sales Bazaar, em Koforidua, capital da região oriental do Gana. Sem contactos prévios ou parcerias formais, apresentou a ideia aos organizadores, que a aceitaram de imediato. Durante o evento, percorreu diversas tendas para registar vendedores na plataforma, corrigir erros em tempo real e ajustar funcionalidades com base na “retroacção” directa dos utilizadores.
No final do evento, 19 vendedores já tinham lojas activas no WhatsApp. Para Ofosu, a simplicidade é o principal factor de adopção. “É preciso ir ao encontro das pessoas onde elas já estão. No Gana, isso é o WhatsApp e o mobile money”, afirmou, acrescentando que “quando se constrói para necessidades reais com ferramentas familiares, a adopção acontece naturalmente”.
A KwikMo procura responder a uma lacuna específica do mercado ganês. Segundo o fundador, muitos pequenos comerciantes não conseguem suportar os custos ou a complexidade das plataformas tradicionais de comércio electrónico. “Existem soluções como a Jumia e a Tonaton, mas foram pensadas para grandes vendedores ou anúncios individuais. Não servem a pequena mercearia de bairro ou quem vende comida a partir de casa”, explicou.
A escolha do WhatsApp como base do serviço não é casual. Mais de 15 milhões de ganeses utilizam a aplicação diariamente, e muitos vendedores já a ela recorreram para comunicar com clientes. A KwikMo acrescenta apenas a infra-estrutura necessária para transformar essas interacções em transacções completas, com catálogos, encomendas e pagamentos integrados.
Até ao momento, a startup, financiada com capitais próprios, já integrou mais de 110 vendedores e cerca de 200 produtos em todo o país, com maior presença em Koforidua. O crescimento tem ocorrido, sobretudo, através de recomendações entre vendedores, sem recurso a campanhas de marketing pagas.
Aberta a vendedores de todo o país, a KwikMo já conta com utilizadores em Acra e noutras regiões. O modelo, segundo Ofosu, é replicável em qualquer zona onde o WhatsApp e o mobile money sejam predominantes, o que abrange praticamente todo o território ganês. A médio prazo, a empresa pretende introduzir directórios por cidade, para facilitar a pesquisa por localização.
A KwikMo adopta um modelo de negócio assente na cobrança de uma comissão de 5% sobre cada encomenda concluída e paga via mobile money. O fundador anunciou igualmente planos de expansão para outros mercados da África Ocidental, com destaque para a Nigéria e para a Costa do Marfim.
























































