A semana económica em Moçambique ficou marcada pela liquidação integral da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), pela descida da taxa de juro de referência para 15,50% e pelo agravamento dos riscos globais ligados à tensão no Estreito de Ormuz, com possíveis impactos no custo dos alimentos. Estes desenvolvimentos reflectem um contexto económico simultaneamente positivo e desafiante.
Moçambique saldou totalmente o crédito pendente junto do FMI, numa operação com forte valor simbólico para a credibilidade externa do País. Ainda assim, os efeitos imediatos na economia são limitados. Analistas consideram que o reembolso não altera, no curto prazo, a pressão sobre a tesouraria do Estado, mantendo-se os constrangimentos financeiros.
Dados do FMI indicam que o saldo em dívida caiu de 514,04 milhões de direitos de saque especiais, no final de Fevereiro, para zero a 27 de Março. O pagamento, equivalente a cerca de 701,4 milhões de dólares, foi efectuado sem recurso a novos desembolsos no mesmo período, o que reforça a capacidade de cumprimento do País.
Segundo o Standard Bank, esta era uma das dívidas mais concessionais da carteira externa, pelo que o seu reembolso terá um impacto reduzido no alívio da liquidez do Estado. Ainda assim, o montante pago corresponde a cerca de 3,1% do Produto Interno Bruto estimado para 2025, evidenciando a sua relevância.
Taxa de juro desce para 15,50%
No sector financeiro, a Associação Moçambicana de Bancos anunciou a descida da taxa de juro de referência para 15,50% a partir de Abril, reflectindo um corte de 10 pontos base face ao mês anterior. A medida insere-se na tendência de alívio gradual das condições de financiamento.
Este é o terceiro corte registado em 2026, após reduções em Janeiro e Março, consolidando a trajectória descendente da chamada ‘prime rate’. Desde Janeiro de 2024, a taxa tem vindo a recuar de forma consistente, acompanhando os ajustamentos da taxa MIMO definida pelo Banco de Moçambique.
Ainda assim, o banco central decidiu recentemente manter a taxa MIMO em 9,25%, tendo em conta os riscos inflacionários. Esta decisão indica uma abordagem cautelosa das autoridades monetárias, que procuram equilibrar o estímulo à economia com a necessidade de controlar a inflação.
Tensão no Médio Oriente ameaça preços de alimentos
De acordo com a organização, cerca de 22% dos fertilizantes importados pelo País em 2024 passaram por aquela rota estratégica. Este dado evidencia uma dependência significativa, sobretudo num contexto de crescente instabilidade geopolítica e de riscos acrescidos para o comércio internacional.
O relatório alerta que o aumento dos custos de energia, transporte e fertilizantes poderá traduzir-se numa subida generalizada dos preços dos alimentos. O impacto deverá ser mais severo para as populações de menor rendimento, agravando as pressões sobre o custo de vida em Moçambique.
Texto: Florença Nhabinde


























































