O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, afirmou nesta quinta-feira, 2 de Abril, que os custos elevados de importação de peças para a conversão atrasam a massificação do uso de Gás Natural Veicular (GNV) em Moçambique, destacando que o Governo está à procura de parceiros para investir no sector.
“O custo de conversão tem que ver muitas vezes com a importação dos sobressalentes necessários, e para isso é preciso encontrar alternativas de importação com preços mais baixos. Neste sentido, estamos a procurar outros potenciais parceiros que possam também entrar no mercado e facilitar esta transição para o gás veicular”, disse o governante.
Intervindo à margem do seminário Autogás-2026, o dirigente assegurou que o Executivo está a trabalhar para garantir que a expansão de infra-estruturas seja uma realidade, apesar de desafios para alocar o recurso para os postos de abastecimento e centros de conversão.
“Sabe-se que o gás natural que temos no País não é ilimitado, principalmente na zona sul, as reservas tendem a decrescer. Mas estamos a trabalhar com a Autogás na perspectiva de disponibilizar o máximo possível daquilo que existe para que o uso do gás veicular seja uma realidade”, sustentou.
No evento, o ministro recordou que, actualmente, o País conta com sete postos de abastecimento de Gás Natural Veicular, quatro centros de conversão de viaturas e cerca de quatro mil viaturas convertidas, concentrados maioritariamente na província de Maputo, geridos pela empresa privada Autogás.
“O Governo está a promover a expansão do uso do GNV, numa primeira fase na região sul, através do estabelecimento de um corredor entre Maputo e Inhambane, tirando partido do Gasoduto Temane-Secunda e da produção de gás natural pela concessionária SASOL”, explicou o governante, destacando que já está em curso a construção de novos postos de abastecimento e centros de conversão nas províncias de Gaza e Inhambane.
Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.
O projecto Coral Sul, da Eni, é o único em operação, desde 2022, tendo sido aprovado em Outubro passado o investimento numa segunda plataforma flutuante para extracção, designada por Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares, que a partir de 2028 vai permitir duplicar a produção para 7 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás natural liquefeito.
Após quatro anos de suspensão devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado, o projeto da Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, de 20 mil milhões de dólares, retomou oficialmente em Janeiro último e prevê até 13 mtpa a partir de 2029, seguindo-se o projecto Rovuma LNG (Área 4), de 30 mil milhões de dólares, operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa previstos após 2030, e cuja decisão final de investimento é esperada para este ano.


























































