A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) comunicou que cerca de 240 empresas vão encerrar as actividades temporariamente na província de Gaza, no sul do País, devido às cheias registadas desde o início do ano, estimando que mais de três mil trabalhadores poderão ser afectados.
De acordo com o sector privado, o número de empresas poderá aumentar, uma vez que continua em curso o levantamento dos prejuízos nos distritos atingidos pelas inundações.
Citada pela Lusa, a organização empresarial afirmou que os danos abrangem diferentes sectores económicos, incluindo agricultura, pequenos negócios e trabalhadores por conta própria, com impactos ainda difíceis de quantificar devido às áreas agrícolas que permanecem inundadas.
“O impacto das cheias na produção agrícola ainda é incerto, uma vez que a província continua na época chuvosa e enfrenta uma nova vaga de inundações nos campos de cultivo em vários distritos”, acrescentou.
“Em nome do sector privado, gostaria de expressar os nossos mais profundos sentimentos de pesar às famílias afectadas pelas recentes cheias, assim como a nossa total solidariedade ao tecido empresarial severamente impactado”, declarou Massingue durante a primeira sessão plenária ordinária da Comissão Consultiva do Trabalho (CCT), em Maputo.
Na sua intervenção, o responsável acrescentou que a CTA está já a realizar um levantamento estatístico rigoroso das empresas afectadas e dos postos de trabalho em risco. “Estes dados serão partilhados com os parceiros sociais, para que as medidas de recuperação económica e social assentem em evidências concretas e objectivas”.
Álvaro Massingue recordou que uma das consequências mais visíveis das cheias foi a interrupção das cadeias logísticas, com destaque para o corte da Estrada Nacional Número 1 e 2, que estiveram intransitáveis por cerca de duas semanas, além dos impactos na destruição da produção agrícola sobretudo no sul.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos, em termos nacionais, entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.























































