O ouro chegou a desvalorizar mais de 4% nesta quinta-feira, 2 de Abril, numa altura em que os investidores voltam a apostar num conflito sem resolução a curto prazo. Sem cessar-fogo, o bloqueio do Estreito de Ormuz pode prolongar-se no tempo e levar os preços do petróleo a novos máximos, tendo um claro impacto na inflação e na forma como os bancos centrais por todo o mundo mexem nas taxas de juro.
Nesta manhã, o metal precioso cai 3,12% para 4635,79 dólares por onça, tendo chegado a afundar 4,3%. O ouro interrompe, assim, uma série de quatro dias em alta, após o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, ter anunciado que as forças norte-americanas vão atacar com “muita força” o Irão nas próximas duas a três semanas, apesar de continuar a ver o fim das hostilidades a curto prazo.
Num discurso endereçado à nação, o líder norte-americano garantiu que os objectivos militares dos EUA estão praticamente cumpridos, voltando a atirar a responsabilidade de reabrir o Estreito de Ormuz para os seus aliados. Mesmo assim, Trump considera que esta via marítima vai acabar por retomar a circulação de forma “natural”, uma vez que o Irão necessita das receitas do petróleo para financiar a recuperação da guerra.
Para Christopher Wong, estratega da Oversea-Chinese Banking Corp, o discurso de Trump “basicamente apresentou o conflito como uma história de sucesso militar e não como um anúncio de cessar-fogo”. “O ouro estava a registar uma subida impressionante, atingindo um máximo intradiário de 4800 dólares. A partir daqui, o ímpeto poderá abrandar, dada a possível redução do apetite pelo risco devido aos receios de uma operação terrestre dos EUA no Irão”, disse à Bloomberg.
O recuo nas acções está ainda a ser mais um factor de pressão sobre o ouro, com os investidores a desfazerem-se de algumas posições no metal precioso para cobrirem as perdas neste mercado. Além disso, o dólar está também a valorizar, reduzindo o apetite pelos metais preciosos por parte dos compradores internacionais, uma vez que os preços destas matérias-primas são denominados na “nota verde”.























































