O ouro está a negociar em território positivo pela terceira sessão consecutiva, numa altura em que a guerra no Irão dá sinais de estar mais próxima do fim e os investidores começam a mostrar-se mais preocupados com o impacto do conflito no crescimento económico mundial do que com os efeitos para a política monetária.
O metal precioso acelera 1,03% para 4722,28 dólares por onça, depois de ter chegado a valorizar mais de 3,5% na sessão anterior. Nesta terça-feira à noite (31), já depois do encerramento dos mercados, o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, garantiu que o conflito no Irão irá terminar “dentro de duas a três semanas”, e que um acordo com o regime de Teerão poderá chegar mesmo antes desse prazo.
Esta garantia foi suficiente para devolver o optimismo aos mercados, com os investidores a apostarem numa resolução do conflito no curto prazo. O fim da guerra torna a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás natural consumidos a nível global, mais plausível, após um bloqueio de várias semanas realizado pelo Irão em resposta aos ataques dos EUA e Israel no último dia de Fevereiro.
Com muito poucas embarcações a passarem por esta artéria vital do comércio mundial, os preços da energia dispararam e aumentaram os receios de uma escalada da inflação – que já começa a ser materializada, depois de os preços terem acelerado de 1,9% para 2,5% na Zona Euro em Março passado, segundo a estimativa rápida do Eurostat divulgada nesta terça-feira. A previsão era que, com uma inflação descontrolada, os bancos centrais por todo o mundo seriam obrigados a apertar a política monetária, o que tende a ser prejudicial para o ouro, uma vez que o metal não rende juros.
“O apelo do ouro como porto seguro tende a ressurgir quando a narrativa passa da inflação para o risco de crescimento”, explicou Yuxuan Tang, directora de Estratégia de Taxas e Câmbio no JPMorgan Private Bank, à Bloomberg, acrescentando: “Estamos firmemente convencidos de que a Reserva Federal tem margem limitada para aumentar as taxas neste ciclo e que, em vez disso, se concentrará no mercado de trabalho sob pressão.”


























































