O custo do consumo essencial em Cabo Verde supera o salário mínimo nacional, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (30), pela Associação para a Defesa do Consumidor (Adeco), que aponta disparidades entre ilhas e rendimentos insuficientes para assegurar essas despesas.
“Há uma disparidade na necessidade de consumo essencial entre as diferentes ilhas, tendo em conta os factores como a comunicação, habitação, alimentação, electricidade e gás que compõem o índice”, mas, no geral, os dados indicam que “existe um défice de rendimento no país para assegurar o consumo essencial das famílias”, afirmou o presidente da Adeco, Nelson Faria, numa conferência de imprensa na ilha de São Vicente.
A associação actualizou o Índice de Consumo Essencial (ICE) em São Vicente e no Sal, tendo agora alargado a análise à capital cabo-verdiana, na ilha de Santiago, a mais populosa do país.
Em São Vicente, a segunda ilha mais populosa, o índice situa-se em 225 euros por pessoa, registando um aumento de 1,7% face à última actualização.
Já no Sal, principal destino turístico do país, o valor sobe para 316 euros, enquanto na cidade da Praia, recentemente incluída na monitorização, o indicador fixou-se em 3300 euros este mês, uma ligeira descida de 0,9% face a Janeiro, quando se iniciou este processo.
Os dados evidenciam ainda que a alimentação é a componente que mais pesa no orçamento das famílias, aproximando-se ou mesmo ultrapassando o salário mínimo nacional.
No Sal, por exemplo, o custo médio mensal da alimentação ronda os 165 euros, enquanto em São Vicente é de cerca de 138 euros e na Praia de 138 euros.
Actualmente, o salário mínimo nacional é de 154 euros no sector privado e 172 euros na administração pública. Neste contexto, o presidente da Adeco defende a adopção de medidas para adequar os rendimentos ao custo de vida, de forma a garantir o acesso ao consumo essencial, alertando para a discrepância entre salários e despesas.
A associação considerou que a situação traduz um défice de rendimento que compromete a capacidade das famílias de satisfazerem as suas necessidades básicas, defendendo medidas estruturais, incluindo a revisão dos salários e políticas de ajustamento à inflação.

“Nós apelamos a que seja definido um salário mínimo que se aproxime das necessidades de consumo essencial e que tenha também uma perspectiva de adequação face à inflação. Nos últimos cinco anos, até 2025, houve uma perda de poder de compra das famílias na ordem dos 15%. Não tivemos aumentos de rendimento nesse sentido”, referiu.
Além disso, “podemos ter uma nova pressão inflacionista, decorrente da guerra no Médio Oriente. Serão necessárias medidas para garantir que os consumidores tenham um poder de compra mínimo para as suas necessidades essenciais”, frisou.
O índice agora divulgado deverá ser alargado a outras regiões do país.
O Governo anunciou em Janeiro a criação de uma comissão tripartida para preparar o aumento do salário mínimo nacional para 226 euros até 2027, envolvendo sindicatos e outras instituições, incluindo municípios.
Fonte: Lusa

























































