A ministra das Finanças, Carla Loveira, afirmou nesta quarta-feira, 25 de Março, que o Governo dispõe de 5,2 milhões de euros do fundo de estabilização para ajudar a evitar uma eventual subida de preços de combustíveis devido ao conflito no Médio Oriente.
“Trata-se de um fundo que vem sendo utilizado à medida que ocorrem crises desta natureza e nós já tivemos o conflito Rússia-Ucrânia que determinou que o nosso país fizesse o uso das verbas em resultado do incremento bastante significativo do preço dos combustíveis. Neste momento os recursos correm em torno de 5,2 milhões de euros”, declarou.
Citada pela Lusa, a governante explicou que continuam a decorrer exercícios para assegurar o provimento de combustíveis em Moçambique, incluindo garantias bancárias para as gasolineiras que importam estes produtos e as respectivas divisas para que cheguem ao País.
Loveira adiantou ainda que o Executivo está a estudar os prováveis impactos do conflito no Médio Oriente para o País, nomeadamente no custo de vida, taxa de câmbio, na disponibilização de divisas, na inflação e importação de combustíveis, estando a avaliar acções concretas para fazer face a estes desafios.
“Continuamos em reflexão juntamente com as gasolineiras e distribuidoras, com vista a verificar quanto é que o nosso país tem apostado para efeitos de cobertura de combustíveis e quantos dias permite cobrir”, elucidou.
A responsável disse que esta reflexão pretende rever igualmente os contratos já celebrados para perceber até que período adicional permitem cobrir as necessidades de combustíveis, estando em análise igualmente o tempo em que o fundo de estabilização poderá assegurar os preços destes produtos no País, além das projecções do Governo para um contexto em que os preços serão revistos em alta.
Na semana passada, o Executivo admitiu a possibilidade de efectuar uma revisão orçamental “em caso extremo”, se a guerra no Médio Oriente se intensificar ao ponto de provocar a subida generalizada dos preços do petróleo.
“No cenário mais extremo e adverso, poderá, sim, ser necessária uma revisão orçamental. Todo o impacto da guerra causa efeitos na economia, através da inflação importada e do incremento do preço dos combustíveis que pode gerar subida dos produtos básicos alimentares. O conflito também pode determinar que haja um agravamento da despesa pública não em termos quantitativos, mas de valor” explicou.
O Governo salientou que cerca de 80% das importações de combustíveis do País transitam pelo Estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente, recordando que o País tem reservas de combustíveis consideradas suficientes até Maio.
Recentemente, a Confederação das Associações Económicas (CTA) mostrou-se preocupada com o impacto do conflito no Médio Oriente, sobretudo no que diz respeito à disponibilidade dos combustíveis, alertanto que, após o término do ‘stock’ garantido pelo Executivo, “é evidente que não será fácil travar os preços” nos tempos seguintes.
Os Estados Unidos da América e Israel lançaram, em 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão, tendo matado, durante a ofensiva, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. Em contrapartida, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializado por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.



























































