O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou nesta segunda-feira, 16 de Março, em Bruxelas, uma visão estratégica para posicionar Moçambique como um dos principais centros energéticos e logísticos da África Austral, destacando o papel dos megaprojectos de gás natural e das energias renováveis na transformação económica do País, informou o jornal O País.
Segundo o órgão, a intervenção foi feita durante uma mesa-redonda com o Governo Federal da Bélgica e empresários belgas, encontro centrado na transição energética global e no reforço de parcerias económicas em sectores como a gestão portuária, logística e inovação digital.
Durante a sessão, o chefe do Estado destacou os avanços dos projectos de gás natural na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, incluindo iniciativas lideradas pelas multinacionais TotalEnergies, Eni e ExxonMobil.
Segundo o Presidente da República, a melhoria da situação de segurança no norte do País permitiu a retoma de projectos anteriormente suspensos, nomeadamente o empreendimento liderado pela TotalEnergies.
“Este projecto começou por volta de 2017, mas teve de ser interrompido devido à situação de terrorismo. No último ano decidimos que era muito importante retomá-lo. No mês passado, em Fevereiro, estivemos em Afungi, na província de Cabo Delgado, para reiniciar as actividades”, afirmou.
O chefe do Estado referiu igualmente o diálogo em curso com a ExxonMobil relativamente ao projecto de gás natural liquefeito na região, admitindo a possibilidade de uma decisão final de investimento ainda este ano. “Estamos actualmente em diálogo com a ExxonMobil e acreditamos que, possivelmente em Agosto ou Setembro, poderemos anunciar juntos a decisão final de investimento deste projecto”, afirmou.
Para além dos hidrocarbonetos, Daniel Chapo destacou o potencial de Moçambique no domínio das energias renováveis, defendendo que o País pode tornar-se um importante fornecedor de energia limpa na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.
Entre os projectos mencionados estão a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que já fornece energia a vários países vizinhos, e o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, com uma capacidade prevista de cerca de 1500 megawatts. “Na região da SADC, Moçambique tem o potencial de se tornar um verdadeiro hub energético”, defendeu o Presidente, convidando o sector privado a participar no desenvolvimento do projecto de Mphanda Nkuwa.
O Presidente sublinhou que a estratégia de industrialização do País passa pela utilização estratégica dos recursos naturais, particularmente o gás natural, para impulsionar cadeias de valor industriais. “Com o nosso gás doméstico queremos promover a industrialização. Queremos produzir fertilizantes, apoiar a industrialização do País e desenvolver várias centrais de energia e linhas de transmissão para abastecer Moçambique e a região”, afirmou.
Neste contexto, destacou também o papel da central de gás de Temane, na província de Inhambane, considerada uma infra-estrutura estratégica para o sistema energético nacional.
A melhoria da situação de segurança no norte do País permitiu a retoma de projectos anteriormente suspensos, nomeadamente o empreendimento liderado pela TotalEnergies
Daniel Chapo
Além da energia, o Presidente destacou oportunidades de investimento nos sectores da agricultura e do turismo, referindo o potencial das vastas áreas aráveis do País e dos cerca de 2700 quilómetros de costa.
Entre os destinos turísticos referidos estão áreas de conservação como o Parque Nacional da Gorongosa e a Reserva Especial do Niassa, conhecidas pela sua biodiversidade e pela presença dos chamados “Big Five”.
No domínio logístico, o Presidente destacou os três principais corredores de desenvolvimento do País, Corredor de Maputo, Corredor da Beira e Corredor de Nacala, como plataformas estratégicas de ligação entre o oceano Índico e o interior do continente africano.
Daniel Chapo referiu igualmente o processo de modernização do Porto de Nacala, considerado um dos melhores portos de águas profundas da região, e defendeu o reforço da digitalização das infra-estruturas logísticas. “Queremos investir na digitalização das infra-estruturas logísticas, criando novos corredores digitais que complementem os corredores de desenvolvimento”, afirmou.
Acompanhado pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, o Presidente sublinhou também a ambição de transformar Moçambique num centro tecnológico regional. “A nossa ambição é transformar Moçambique num centro digital da região da SADC. Queremos instalar centros de dados no País, aproveitando a disponibilidade de energia para servir não apenas Moçambique, mas também os países vizinhos”, declarou.
No final do encontro, Daniel Chapo reiterou o convite aos empresários belgas para investirem no País, sublinhando a abertura do Governo a parcerias público-privadas.
“Estamos disponíveis para trabalhar com o sector privado, tanto de Moçambique como da Bélgica e de outros países, para desenvolver a nossa economia e criar oportunidades de investimento. Por isso, sejam todos bem-vindos a Moçambique”, concluiu.



























































