A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) mais do que duplicou os níveis de água armazenada na albufeira, aproximando-se de 50% da sua capacidade, após mínimos históricos provocados pela seca. A recuperação resulta da actual época chuvosa, trazendo alívio ao sector energético nacional, escreveu a Lusa.
“Estamos agora a recuperar. Aproximamo-nos dos 50% da capacidade e, provavelmente, até ao final da época chuvosa, ainda este mês, estaremos muito perto desse nível, tendo partido de cerca de 20%”, disse o presidente do Conselho de Administração (PCA) da HCB, Tomás Matola.
O responsável falava à margem da Conferência Renováveis em Moçambique (RENMOZ), que decorre até 18 de Março, em Bruxelas. O evento contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, que apresentou projectos com vista a atrair investimento europeu.
Tomás Matola explicou que a recuperação foi impulsionada sobretudo pelas chuvas “a montante da albufeira”, sendo os afluentes “determinantes para esta recuperação”. A melhoria dos níveis surge após um período prolongado de escassez hídrica.
“Vamos, ao longo do ano, produzir energia com base neste armazenamento. Os níveis deverão voltar a baixar até ao final do ano, mas acreditamos que, na próxima época chuvosa, haverá nova recuperação até atingirmos os níveis desejados”, afirmou.
O gestor mostrou-se confiante de que a HCB e outros projectos no rio Zambeze, como a futura barragem de Mphanda Nkuwa, com 1500 megawatts, vão garantir as necessidades internas e da região. “E, sobretudo, da África do Sul, onde a procura é muito elevada, superior à dos restantes países da região. Com estes projectos, acreditamos que Moçambique poderá afirmar-se como um ‘hub’ energético regional”, afirmou.
Tomás Matola acrescentou que a visão da HCB até 2034 passa por atingir uma capacidade de até 4000 megawatts, face aos actuais 2075, incluindo a construção de uma nova central e de um parque solar.
“A HCB aproxima-se de 50% da sua capacidade graças a presente época chuvosa”
Tomás Matola
Apesar da recuperação, o sector enfrenta desafios. A produção de electricidade em Moçambique caiu 25% em 2025, devido à falta de água na albufeira, após o pior registo pluviométrico dos últimos 43 anos, segundo dados oficiais.
O Relatório de Execução Orçamental indica que o País produziu cerca de 14,4 milhões de megawatt-hora, o que corresponde a 76,7% do plano anual e representa uma queda de 25,4% face a 2024, devido ao fraco desempenho das centrais hídricas.
“As centrais hídricas registaram um grau de execução de 72,3% e um decréscimo de 30,7% face ao mesmo período de 2024”, refere o documento, destacando o impacto da escassez de água.
Moçambique continua a ser o maior produtor de hidroelectricidade da África Austral, sendo que quase toda a produção provém da HCB, complementada por pequenas barragens sob gestão da Electricidade de Moçambique.

Em 2025, as centrais hídricas geraram cerca de 11,2 milhões de megawatt-hora, menos 30,7% face a 2024, devido aos efeitos do fenómeno El Niño, que afecta a HCB desde 2023, segundo o relatório.
“A escassez de precipitação na bacia do Zambeze reduziu a disponibilidade de água nas principais albufeiras do País, culminando no pior registo pluviométrico dos últimos 43 anos”, acrescenta o documento.
A falta de energia suficiente e a preços acessíveis esteve também na origem de um diferendo que levou a Mozal, a maior indústria do País, a suspender a actividade desde 15 de Março, afectando mais de 4000 empregos directos e indirectos.


























































