A australiana South32 confirmou esta segunda-feira (16) que a fundição de alumínio Mozal, a maior indústria de Moçambique, suspendeu as suas operações desde domingo, entrando num regime de manutenção e conservação. A empresa prevê gastar cerca de 52,4 milhões de euros com a suspensão, incluindo despesas relacionadas com despedimentos de trabalhadores.
Segundo o director-executivo da South32, Graham Kerr, que detém 63,7% da fundição, nos últimos seis anos a empresa envolveu-se extensivamente com o Governo moçambicano, com a eléctrica sul-africana Eskom – que compra energia a Moçambique e a revende à fundição – e outras partes interessadas, mas não conseguiu garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para além de Março de 2026.
A Mozal, uma das maiores fundições de alumínio em África, conta com mais de 1000 trabalhadores directos e cerca de 4000 indirectos. A South32 estimou que a manutenção da fundição custará anualmente 4,4 milhões de euros, totalizando 52,4 milhões de euros com a suspensão, incluindo rescisões contratuais.
“Embora este não seja o desfecho que desejávamos, orgulhamo-nos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana nos seus 25 anos de operação”, afirmou Kerr.
O impacto da suspensão já se reflecte no Parque Industrial de Beluluane, no sul do País. Pelo menos cinco empresas encerraram actividades e dezenas poderão seguir o mesmo caminho. Onório Manuel, director-geral da Mozparks, entidade gestora do parque industrial situado a 20 quilómetros de Maputo, indicou que cerca de 25 empresas prestam bens e serviços à Mozal e que a maioria pondera accionar mecanismos semelhantes devido à paralisação da fundição.
O responsável explicou que algumas fábricas tinham de continuar a operar até à paralisação da Mozal, por integrarem o processo de desligamento seguro da fundição. No entanto, com a entrada da empresa em manutenção, prevê-se que mais empresas fechem, sobretudo aquelas ligadas directamente à produção e manutenção industrial.
“Nos últimos seis anos, envolvemo-nos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal para além de Março de 2026.”
Graham Kerr – director-executivo da South32
O responsável alertou que a saída temporária da fábrica terá um efeito “nefasto” no ritmo de crescimento e desenvolvimento do parque industrial, que vinha crescendo de forma acelerada e atraindo novas indústrias. Segundo Manuel, a Mozal representava cerca de 49% da indústria transformadora no PIB moçambicano, equivalente a 1,3 mil milhões de euros, e contribuía com cerca de 40% da produção industrial da província de Maputo. A paralisação poderá afectar sobretudo o sector social e reduzir o impacto da indústria no Produto Interno Bruto.
A decisão da Mozal deve-se também à insustentabilidade da tarifa de energia proposta. Em contacto com investidores australianos, Kerr explicou que a única oferta formal da Eskom era de quase 100 dólares por MegaWatt-hora (MWh), quando fora da China menos de 1% das fundições possuem contratos acima de 50 dólares por MWh.
O Governo moçambicano, através do porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, confirmou que a paralisação da fundição, anunciada há cerca de duas semanas, terá impacto económico significativo, sobretudo devido à ligação da Mozal com múltiplas indústrias e fornecedores. Impissa salientou que o produto da fundição constituía uma das principais fontes de exportação do País.
O ministro explicou que a Mozal necessitaria de cerca de 950 megawatts de energia, quantidade que o País não consegue actualmente fornecer. O fornecimento actual, feito pela África do Sul, também não consegue assegurar a energia necessária. Caso fosse possível garantir a capacidade energética, as negociações poderiam prosseguir, possibilitando um preço mais ajustado e compensações adequadas.























































