As chuvas intensas que se têm registado nos últimos dias no distrito de Guijá, na província de Gaza, estão a colocar em risco a produção agrícola local, sobretudo as culturas de milho e hortícolas, alertaram as autoridades distritais, tal como informou Agência de Informação de Moçambique (AIM).
Segundo o administrador do distrito de Guijá, Jaime Mugabe, as precipitações persistentes estão a provocar o aumento do escoamento das águas e a inundação das zonas baixas, situação que ameaça comprometer os campos agrícolas recentemente semeados pelos produtores.
O responsável explicou que muitos agricultores haviam retomado a sementeira após as inundações registadas em Janeiro, mas as novas chuvas voltaram a criar incerteza quanto ao sucesso da campanha agrícola. “Só para se ter uma ideia, de ontem para cá, durante cerca de quatro horas, no posto administrativo de Mubanguene, caíram mais de 105 milímetros de chuva. Trata-se de precipitação que se regista praticamente todos os dias, aumentando o escoamento das águas e o caudal do rio”, afirmou.
O Governo distrital está a reforçar acções de sensibilização junto das comunidades ribeirinhas para adoptarem medidas de precaução face ao risco de cheias, na sequência de alertas emitidos pelas entidades gestoras da bacia do rio Limpopo.
Até ao momento, 17 famílias tiveram de abandonar as suas residências devido à subida das águas e encontram-se temporariamente acolhidas em locais seguros no posto administrativo de Chivonguene. “Há um forte espírito de solidariedade entre as comunidades, pelo que, nesta fase inicial, as famílias estão alojadas em casas de vizinhos”, acrescentou o administrador.
Equipas multissectoriais, em coordenação com as lideranças comunitárias e religiosas, continuam a monitorizar a evolução da situação e a reforçar a sensibilização da população, numa altura em que algumas vias de acesso permanecem cortadas devido às inundações.
As autoridades distritais alertam que, caso as chuvas persistam nos próximos dias, mais de 10 mil habitantes poderão ser afectados pelas cheias, embora já tenham sido previamente identificadas áreas para o eventual reassentamento temporário das populações em risco.
A província de Gaza tem sido historicamente vulnerável a inundações durante a época chuvosa, sobretudo nas zonas situadas ao longo da bacia do rio Limpopo, fenómeno que frequentemente provoca impactos significativos na produção agrícola e na segurança alimentar das comunidades rurais.
O Governo recebeu 58,1 milhões de euros em doações para apoiar vítimas das cheias de Janeiro, canalizados em alimentos, vestuário, abrigo e dinheiro. O Plano Global de Reconstrução Pós-Cheias 2026 prevê assistência humanitária imediata e reabilitação de infra-estruturas e serviços essenciais, incluindo estradas, pontes, aquedutos, escolas, unidades sanitárias e abastecimento de água.
Em Gaza, as cheias provocaram prejuízos de 31,1 milhões de euros em 64 hotéis, afectaram 1300 estabelecimentos comerciais, danificaram redes de água, destruíram 399 749 hectares de culturas e causaram a morte de 530 998 animais. Entre Outubro e Fevereiro, foram afectadas 869 mil pessoas, com 270 mortos, 333 feridos e dez desaparecidos. O Governo reforça que a resposta inclui acções emergenciais e políticas de médio e longo prazo para reduzir vulnerabilidade e aumentar a resiliência das comunidades.
























































