O Governo defendeu uma negociação para que a fundição de alumínio Mozal, a maior indústria do País, que suspende a actividade a partir deste domingo, 15 de Março, não fique parada, face à sua dimensão e importância.
“Era sempre bom ter a Mozal ou outra grande indústria como ela, superior ou de igual dimensão. Ainda assim, aquela Mozal, que tem estado ultimamente a concluir as suas actividades (…), era de bom grado e de boa aceitação por parte do Governo que ela continuasse a funcionar”, afirmou o porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, num encontro com jornalistas, na sexta-feira (13), em Maputo.
Segundo Impissa, o Governo não tem informações sobre novos operadores que poderão funcionar naquela indústria, a maior fundição em África, face à suspensão da actividade decidida pela australiana South32, que lidera a Mozal. Porém, frisou, o objectivo é que “aquela infra-estrutura não fique parada”, garantindo que o Governo, em termos sectoriais, pode apoiar neste processo de negociação com novos investidores para aquela unidade.
“Por conta disso, teremos de procurar, primeiro, a própria entidade, a própria sociedade, a dona da Mozal, terá de mostrar interesse em, por exemplo, transferir ou a operação, ou transferir a empresa, transferir cotas e outras formas, observando as diferentes formas de transição de responsabilidades ou de titularidade sobre uma determinada empresa como esta”, explicou o porta-voz.
Pelo menos cinco empresas encerraram e dezenas de outras podem paralisar as actividades no Parque Industrial de Beluluane, sul do País, devido à suspensão da Mozal, de acordo com Onório Manuel, director-geral da Mozparks – entidade que gere aquele parque industrial, o maior do País.
“Nós estimamos um universo de 25 empresas que prestam bens e serviços à Mozal. Já fomos comunicados que a maioria destas, em função daquilo que é a paralisação das actividades na Mozal, também estão a considerar accionar os mecanismos na mesma proporção”, disse Onório Manuel.
O responsável explicou que com a Mozal – a maior indústria moçambicana, com mais de mil trabalhadores directos e quatro mil indirectos – a entrar na fase de manutenção e conservação, espera-se agora que mais empresas comecem a fechar, já que algumas destas fábricas tinham de continuar em operação até ao momento da paralisação da fundição, “porque faziam parte do processo em si de encerramento em segurança da Mozal”.
“Neste momento já contamos com uma média de cinco que já encerraram as actividades, aquelas que estavam muito mais ligadas à produção, porque existem empresas de manutenção da parte eléctrica, manutenção industrial e por aí em diante (…). Já lá vão cerca de cinco empresas que neste momento estão totalmente com actividades encerradas sem nenhuma perspectiva de retorno”, assinalou.
Segundo Onório Manuel, estas paralisações colocam em risco cerca de quatro mil postos de emprego das fábricas vizinhas àquela fundição: “Estamos a falar de inúmeros postos de trabalho das empresas ligadas à cadeia de valor da Mozal, não necessariamente da Mozal em si”.
Sourh32 admite reactivar fundição caso as condições de fornecimento de energia melhorem
A australiana South32 considerou “totalmente insustentável” a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, em Maputo, justificando assim o seu encerramento, neste domingo, sem descartar reactivar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.
Numa recente chamada com investidores australianos, a cuja transcrição a Lusa teve acesso e que envolvia a apresentação dos últimos resultados do grupo que lidera a Mozal e outras fundições, o director-executivo, Graham Kerr, explicou que a “única oferta formal” para fornecimento de energia pela Eskom foi de quase 100 dólares por MegaWatt-hora (MWh), quando, “fora da China, menos de 1%” das fundições têm contratos acima de 50 dólares por MWh.























































