O Governo quer apostar na cooperação com a empresa americana de produção de aeronaves Boeing para a reestruturação e rentabilização das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), companhia de bandeira, refere uma nota do Ministério dos Transportes e Logística, citada neste domingo pela Lusa (15).
De acordo com a nota, para concretizar esta pretensão, o ministro dos Transportes e Logística, João Jorge Matlombe, encontrou-se com um representante da empresa, nos Estados Unidos da América (EUA), à margem da Conferência Internacional do Banco Mundial sobre “Transforming Transportation”.
“Reuniu-se com o representante da Boeing, gigante aeroespacial americana e líder mundial na fabricação de aeronaves, tendo convidado a empresa a juntar-se aos esforços do Governo para reestruturação e rentabilização das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM)”, lê-se na nota do Ministério.
Segundo o Ministério dos Transportes e Logística, a Boeing manifestou abertura para a possibilidade de aprofundamento das conversões, sendo que, para o efeito, ficaram agendados novos encontros entre as partes para Abril próximo.
A companhia enfrenta há vários anos problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves, estando actualmente num profundo processo de reestruturação.
Em 17 de Fevereiro, o Governo anunciou a intenção de partilhar da experiência da Etiópia na formação de pilotos e na reestruturação da LAM, com a companhia Ethiopian Airlines a manifestar interesse em voar para o centro e norte do País. “Eles têm a maior companhia aérea de África, nós temos o sonho de revitalizar a nossa companhia e não há melhor sítio para estudar do que aqui, porque eles partiram do nada. É uma experiência que está lá e que podemos colher deles”, disse na altura o embaixador de Moçambique na Etiópia, Nuno Tomás.
A LAM deixou de realizar voos internacionais há praticamente um ano, concentrando-se nas ligações internas, levando também a uma nova administração em Maio e à entrada, como accionistas, da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e da Empresa Moçambicana de Seguros (Emose).
Para minimizar os recorrentes problemas com cancelamento de voos, a companhia tem vindo a adquirir e alugar novas aeronaves, a última das quais um Airbus A319 de 148 lugares, que chegou a Maputo em Dezembro do ano passado.
Os prejuízos da LAM dispararam para 53,7 milhões de euros em 2023, obrigando o Estado a injectar 13,5 milhões de euros e a emitir uma carta conforto em 2024.
A LAM, que não tem divulgado contas publicamente, tinha registado prejuízos de 6 milhões de euros em 2022, que desta forma dispararam no ano seguinte, conforme consta das demonstrações financeiras mais recentes disponíveis.























































