Escolher um vinho pode parecer uma decisão simples, mas a forma como cada pessoa o faz nem sempre é igual. Um estudo realizado em Portugal procurou perceber se existem diferenças entre mulheres e homens na forma como escolhem vinho e quais são os elementos que mais influenciam essa decisão.
Os resultados revelam que, embora ambos valorizem a experiência de partilhar um bom vinho, existem diferenças claras na forma como analisam a garrafa e procuram informação. Enquanto algumas pessoas prestam mais atenção ao design e às referências visuais do rótulo, outras concentram-se nos detalhes técnicos e na história do vinho.
A investigação identificou quatro diferenças principais no processo de escolha, mostrando que compreender o comportamento dos consumidores pode ajudar produtores e marcas a comunicar melhor o seu vinho.
Como foi feito o estudo
O artigo “Is there a gender effect on wine choice in Portugal? – A qualitative approach” (“Existe um efeito de género na escolha do vinho em Portugal? – Uma abordagem qualitativa”) envolveu cinco grupos com 45 consumidores regulares de vinho (22 mulheres e 23 homens) de quatro regiões vitivinícolas portuguesas.
Além das discussões em grupo, os participantes preencheram um questionário sobre hábitos de compra, consumo, conhecimento de vinho e perfil socioeconómico. A análise foi qualitativa: os investigadores transcreveram tudo, palavra por palavra, e identificaram padrões no discurso.
As quatro principais diferenças identificadas
Relação emocional com o vinho
- Mulheres: associam o vinho ao contexto de consumo – ocasião, refeição, companhia;
- Homens: falam mais do prazer convivial e sensorial – convívio, prova, sensações.
Critérios principais de escolha
- Homens: região de origem + experiência prévia com essa região;
- Mulheres: marca do vinho + experiência prévia com essa marca específica.
Informação preferida no rótulo
- As mulheres valorizam a frente do rótulo: região de origem, prémios, ilustrações territoriais;
- Os homens preferem o contra-rótulo: castas, património mundial, história do vinho.
Problema comum
Ambos criticam o contra-rótulo: letra demasiado pequena, informação pouco clara.
O que isto significa na prática?
Estas conclusões mostram que comunicar vinho não passa apenas pelo produto, mas também por compreender como diferentes consumidores procuram informação numa garrafa.
Para as mulheres, uma frente de rótulo forte com região + prémios + identidade visual pode ser decisiva. Para os homens, um contra-rótulo legível com castas e história faz diferença.
O estudo mostra assim que mulheres e homens valorizam informações diferentes numa garrafa, mas ambos concordam numa coisa: o vinho continua a ser, sobretudo, um momento de partilha.
Fonte: Vinha























































