O Governo gastou 812,1 milhões de dólares na importação de combustíveis entre Janeiro e Setembro de 2025, valor que corresponde a cerca de 65% da factura total registada em 2024, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique (BdM), tal como informou a Lusa.
De acordo com um relatório estatístico do banco central, a maior parcela das importações correspondeu ao gasóleo, que totalizou 548,3 milhões de dólares no período em análise. A gasolina representou 233,9 milhões de dólares.
Os combustíveis assumiram um peso significativo na estrutura das importações do País, representando quase metade dos 1787,5 milhões de dólares em bens intermédios adquiridos por Moçambique no exterior até Setembro. Nesta categoria incluem-se igualmente energia eléctrica, alumínio, materiais de construção, óleos e lubrificantes, adubos e fertilizantes, cimento e alcatrão.
As autoridades indicam que cerca de 80% das importações de combustíveis do País transitam pelo estreito de Ormuz, provenientes do Médio Oriente, uma das principais rotas de abastecimento para o mercado moçambicano.
O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento afirmou recentemente que Moçambique dispõe actualmente de cerca de 75 mil toneladas de combustíveis em reserva, quantidade considerada suficiente para garantir o abastecimento até princípios de Maio. Segundo o governante, estas reservas foram adquiridas a preços anteriores ao agravamento das tensões no Médio Oriente.
Nos primeiros meses de 2025, o País enfrentou constrangimentos no abastecimento de combustíveis, associados à escassez de divisas no mercado, situação que levou o Banco de Moçambique a adoptar medidas destinadas a reforçar a disponibilidade de moeda estrangeira para financiar as importações.
Os dados do banco central mostram ainda que o custo das importações de combustíveis caiu 15% em 2024, fixando-se em 1198 milhões de dólares, o valor mais baixo desde o período da pandemia da covid-19. Em 2023, a factura tinha atingido 1417 milhões de dólares, enquanto em 2022 ultrapassou 1966 milhões de dólares.
Paralelamente, a economia moçambicana registou uma recuperação no último trimestre de 2025, após quatro períodos consecutivos de contracção. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto a preços de mercado cresceu 4,67% no quarto trimestre de 2025, em comparação com igual período de 2024.
Ainda assim, o desempenho anual permaneceu negativo, com a economia a fechar 2025 com uma variação acumulada de -0,52%. O período de desaceleração económica foi marcado por instabilidade social e protestos que se seguiram às eleições gerais de 9 de Outubro de 2024, que provocaram vítimas mortais e danos em empresas e infra-estruturas públicas.
























































