O Governo sul-africano convocou o novo embaixador dos Estados Unidos da América (EUA), Brent Bozell, na quarta-feira (11), para explicar “comentários não diplomáticos” sobre as políticas raciais e decisões judiciais da África do Sul, segundo informou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ronald Lamola.
O diplómata assumiu o cargo no mês passado, com as relações bilaterais já fragilizadas por uma série de questões, desde o processo da África do Sul contra o aliado dos EUA, Israel, por alegado genocídio, até às controvérsias levantadas pelo Presidente Donald Trump, que afirmou que os brancos africânderes estão a ser perseguidos.
No seu primeiro discurso público na terça-feira, o novo embaixador qualificou um slogan controverso da era do Apartheid, “Matem o bôer, matem o fazendeiro”, como discurso de ódio e criticou políticas destinadas a capacitar os sul-africanos negros.
“Convocámos Brent Bozell para explicar os seus comentários não diplomáticos”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros Ronald Lamola.
Os tribunais do país decidiram que o slogan não constitui discurso de ódio e deve ser analisado no contexto da luta de libertação contra o brutal sistema de domínio da minoria branca.
“Lamento, não me importa o que digam os vossos tribunais, isto é discurso de ódio”, referiu Bozell, na reunião com líderes empresariais.
Na quarta-feira, pareceu recuar, afirmando na rede social X: “Quero esclarecer que, embora a minha opinião pessoal – como a de muitos sul-africanos – seja que ‘matem o Boer’ constitui discurso de ódio, o Governo dos EUA respeita a independência e as decisões do sistema judicial sul-africano.”
Trump tem usado o slogan para apoiar as suas alegações infundadas de genocídio de brancos na África do Sul. Numa reunião com o Presidente Cyril Ramaphosa na Casa Branca, em Maio do ano passado, Trump mostrou clipes de um político da oposição a entoar o slogan.
“Convocámos Brent Bozell para explicar os seus comentários não diplomáticos”
Ronald Lamola – Ministro dos Negócios Estrangeiros
Bozell criticou ainda as políticas de empoderamento económico dos negros, referindo que levaram à “estagnação” que prejudicou a economia.
Em resposta, Lamola afirmou: “Reiteramos que o empoderamento económico alargado dos negros não é racismo inverso, como infelizmente insinuado pelo embaixador. É um instrumento fundamental concebido para corrigir os desequilíbrios estruturais da história única da África do Sul. É um imperativo constitucional que o Governo sul-africano não pode e nunca abandonará.”
Fonte: ZimLive

























































