No contexto da escalada do conflito no Médio Oriente, cinco cidadãos moçambicanos ficaram temporariamente retidos no aeroporto de Doha, no Qatar. A situação ocorreu depois dos ataques conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos da América contra o Irão, que levaram ao encerramento do espaço aéreo em várias zonas da região. Apesar da preocupação inicial, as autoridades diplomáticas asseguram que não há registo de moçambicanos directamente afectados pelo conflito.
Segundo declarações do embaixador de Moçambique no Qatar, Isac Massamby, ao jornal O País, divulgadas esta quarta-feira (11), a situação está a ser acompanhada com atenção. O diplomata explicou que, até ao momento, não existem cidadãos moçambicanos envolvidos em incidentes associados à actual crise regional. Ainda assim, a embaixada mantém contacto permanente com a comunidade moçambicana.
Dados da missão diplomática indicam que, dos 681 moçambicanos que vivem no Médio Oriente, quase metade reside e trabalha no Qatar. O país foi recentemente alvo de bombardeamentos iranianos, numa acção de retaliação aos ataques israelitas e norte-americanos registados desde a última semana de Fevereiro. O agravamento das tensões aumentou a preocupação entre os cidadãos estrangeiros na região.
Foi neste ambiente de instabilidade que cinco moçambicanos, que seguiam viagem para diferentes destinos, acabaram por ser retidos temporariamente no aeroporto de Doha. A retenção resultou das restrições impostas ao tráfego aéreo, após o encerramento de parte do espaço aéreo regional. As autoridades aeroportuárias adoptaram medidas de segurança que provocaram atrasos e interrupções em vários voos.
Apesar do cenário de tensão, as autoridades diplomáticas reiteram que nenhum cidadão moçambicano esteve envolvido em incidentes relacionados com o conflito. Ainda assim, algumas restrições de circulação continuam em vigor em determinadas zonas do Qatar. Estas medidas fazem parte do esforço das autoridades locais para garantir segurança durante este período sensível.
Perante este quadro, a missão diplomática moçambicana intensificou o contacto com a comunidade nacional residente no país. A manutenção de canais de comunicação permanentes tornou-se uma prioridade para acompanhar a situação dos cidadãos. O objectivo é garantir que qualquer eventual necessidade de assistência seja rapidamente identificada.
“Desde o início desta crise no Médio Oriente criámos uma plataforma que nos permite manter uma coordenação constante com a liderança comunitária e, até onde sabemos neste momento, todos estão seguros e bem”, afirmou o embaixador Isac Massamby à Soico Televisão (STV). O diplomata apelou ainda à comunidade moçambicana para que “mantenha a calma e continue a seguir as orientações e instruções de segurança emitidas pelas autoridades locais”.
Entretanto, o Governo de Moçambique ainda não anunciou um eventual plano de evacuação, numa altura em que o conflito já deslocou cerca de 100 mil pessoas. Também em declarações à STV, a primeira-ministra Benvinda Levi explicou que “o Governo só pode agir dependendo da disponibilidade de voos”, sublinhando que “o espaço aéreo está restrito”. O Egipto já manifestou disponibilidade para servir de rota de saída para cidadãos moçambicanos, enquanto Maputo continua a monitorizar a situação.






















































