O Governo do Irão alertou que o mundo deve preparar-se para uma possível subida do preço do petróleo até 200 dólares por barril, tendo em conta a crescente tensão no Golfo. Ao mesmo tempo, forças iranianas terão atacado navios mercantes na quarta-feira (11), numa zona estratégica que se encontra, actualmente, bloqueada.
Segundo uma publicação da Reuters, Teerão também lançou ataques contra Israel e alvos em várias partes do Médio Oriente, demonstrando que ainda tem capacidade de resposta, apesar do que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA) descreveu como os ataques mais intensos de sempre conduzidos pelas suas forças e por Israel.
Os preços do petróleo, que tinham disparado no início da semana, aliviaram entretanto, e os mercados bolsistas recuperaram, com investidores a apostar que o Presidente dos EUA, Donald Trump, encontrará rapidamente uma forma de terminar a guerra, iniciada juntamente com Israel, há quase duas semanas.
Trump, que tem procurado tranquilizar os mercados ao longo desta semana dizendo que a campanha militar terminará em breve, afirmou, numa entrevista telefónica ao Axios, que “praticamente já não resta nada” para atacar no Irão.
“Coisas pequenas aqui e ali… Sempre que eu quiser que isto termine, terminará”, disse Trump.
Pior perturbação energética desde os anos 1970
No terreno, contudo, não houve qualquer abrandamento dos combates, nem sinais de que os navios possam navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial e que permanece bloqueado ao longo de um estreito corredor junto à costa iraniana. Trata-se da maior perturbação no abastecimento energético desde os choques petrolíferos da década de 1970.
A Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne os principais países consumidores de petróleo, recomendou a libertação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais para estabilizar os preços, a maior intervenção deste tipo na história, proposta que foi rapidamente apoiada por Washington. Ainda assim, o ritmo a que os países podem libertar essas reservas representaria apenas uma pequena parte do abastecimento que normalmente passa pelo Estreito de Ormuz.
“Preparem-se para que o petróleo chegue aos 200 dólares por barril, porque o preço do crude depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram”, afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar iraniano, dirigindo-se aos Estados Unidos.
Os preços do petróleo, que chegaram brevemente perto dos 120 dólares por barril na segunda-feira (9), estabilizaram desde então em torno dos 90 dólares, sugerindo que os investidores continuam a apostar num fim rápido da guerra e na reabertura do estreito.
Irão indica intenção de prolongar choque económico
As autoridades iranianas deixaram claro, nesta quarta-feira, que pretendem provocar um choque económico prolongado enquanto o conflito continuar.
Depois de escritórios de um banco em Teerão terem sido atingidos, Zolfaqari afirmou que o Irão responderá com ataques contra bancos que façam negócios com os Estados Unidos ou com Israel. “A população no Médio Oriente deveria manter-se a pelo menos mil metros de distância de bancos”, acrescentou.
A Guarda Revolucionária iraniana declarou que as suas forças dispararam contra dois navios no Golfo que não obedeceram às suas ordens. Um deles, um navio graneleiro com bandeira da Tailândia, incendiou-se, obrigando à evacuação da tripulação, com três pessoas dadas como desaparecidas e presumivelmente presas na sala de máquinas.
A Reuters não conseguiu verificar um segundo incidente descrito pela Guarda envolvendo um navio com bandeira da Libéria. No entanto, outros dois navios — um porta-contentores com bandeira japonesa e um graneleiro com bandeira das Ilhas Marshall — foram também registados como tendo sofrido danos provocados por projécteis.
Os ataques elevaram para 14 o número de navios mercantes atingidos desde o início da guerra.
Um alto responsável israelita disse à Reuters que líderes de Israel admitem agora, em privado, que o sistema político iraniano poderá sobreviver ao conflito. Outros dois responsáveis israelitas afirmaram que não há sinais de que Washington esteja perto de encerrar a campanha militar.
Autoridade iraniana diz que Mojtaba Khamenei ficou ligeiramente ferido
Num novo sinal público de desafio, grandes multidões de iranianos saíram às ruas nesta quarta-feira para os funerais de comandantes, mortos em ataques aéreos. Transportavam caixões e exibiam bandeiras e retratos do líder supremo morto, Ali Khamenei, e do seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei.
Um responsável iraniano disse à Reuters que Mojtaba Khamenei ficou ligeiramente ferido no início da guerra, quando ataques aéreos mataram o seu pai, mãe, esposa e um filho. Desde o início do conflito, ele não apareceu em público nem emitiu qualquer mensagem directa.
Os militares iranianos afirmaram, na terça-feira (10), ter lançado mísseis contra vários alvos, incluindo uma base norte-americana no norte do Iraque, o quartel-general naval dos EUA para o Médio Oriente no Bahrein, e também alvos no centro de Israel. Explosões foram ouvidas no Bahrein, e, no Dubai, quatro pessoas ficaram feridas quando dois drones caíram perto do aeroporto.
Em Teerão, moradores disseram estar a habituar-se aos ataques aéreos nocturnos, que já levaram centenas de milhares de pessoas a fugir para o interior do país, e que deixaram a cidade coberta por uma “chuva negra” provocada pelo fumo de petróleo.
Israel diz que operação não tem limite de tempo
Responsáveis dos Estados Unidos e de Israel afirmam que o objectivo é pôr fim à capacidade do Irão de projectar força para além das suas fronteiras e destruir o seu programa nuclear, embora também tenham apelado aos iranianos para derrubarem o regime clerical do país.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta quarta-feira que a operação “continuará sem qualquer limite de tempo, durante o período que for necessário, até atingirmos todos os objectivos e vencermos a campanha”.
No entanto, quanto mais tempo a guerra durar, maior será o risco para a economia global e, se o conflito terminar com o sistema político iraniano a sobreviver, Teerão certamente declarará vitória.
O chefe da polícia iraniana, Ahmadreza Radan, afirmou, nesta quarta-feira, que qualquer pessoa que saia às ruas será tratada “como inimigo, e não como manifestante. Todas as nossas forças de segurança têm o dedo no gatilho”.
Mais de 1300 civis iranianos morreram desde o início dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel a 28 de Fevereiro, segundo o embaixador do Irão nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani. Dezenas de pessoas também morreram em ataques israelitas no Líbano.
Ataques iranianos contra Israel mataram pelo menos 11 pessoas e dois soldados israelitas morreram no Líbano. Washington afirma que sete soldados norte-americanos morreram e cerca de 140 ficaram feridos.

























































