A Agência Internacional de Energia (AIE) está a propor a libertação de reservas de petróleo de emergência, segundo uma fonte com conhecimento do assunto, enquanto os Governos procuram conter a subida dos preços da energia provocada pela guerra no Médio Oriente.
De acordo com a Bloomberg, não ficou imediatamente claro se a proposta da AIE era formal e se incluía quantidades específicas para os países-membros. Embora as nações tenham concordado, em princípio, em injectar mais petróleo no mercado se necessário, ainda não é evidente que todos considerem a situação suficientemente urgente para avançar com essa medida.
A fonte, que pediu para não ser identificada porque as discussões não são públicas, não revelou qualquer valor.
As nações do Grupo dos 7 (G7) afirmaram, nesta quarta-feira (11), que apoiam, em princípio, “medidas proactivas”, incluindo a libertação de reservas estratégicas. No entanto, não forneceram detalhes sobre a dimensão de uma possível intervenção.
Uma reunião dos chefes de Estado do G7, também nesta quarta-feira, deverá discutir a libertação dessas reservas, disse separadamente o ministro das Finanças francês, Roland Lescure. “Obviamente, estas reservas não são infinitas, por isso [a acção de libertação] deve ser feita com moderação e, sobretudo, de forma coordenada, para enviar uma mensagem de cooperação no G7 e mais amplamente”, afirmou, numa entrevista.
Está prevista para esta quarta-feira uma reunião do Conselho de Administração da agência, sediada em Paris, que oferece uma “oportunidade crucial” para avaliar a segurança do abastecimento e as condições do mercado, disseram os ministros da Energia do G7.
As libertações mais recentes de reservas de petróleo da AIE ocorreram após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. O Wall Street Journal noticiou anteriormente que esta nova medida poderá ser ainda mais significativa, tornando-se potencialmente a maior libertação de reservas até agora.
O petróleo de referência global Brent perdeu ganhos iniciais de quase 4% após a notícia do Wall Street Journal, antes de ser negociado em torno de 89 dólares por barril.
A expansão do conflito e o quase total encerramento do Estreito de Ormuz levaram produtores do golfo Pérsico a reduzir a produção, o que já retirou cerca de 6% da produção mundial de petróleo, fazendo disparar os preços de produtos como combustível de aviação e gás de cozinha em todo o mundo.
Libertações anteriores de reservas estratégicas nem sempre tiveram o impacto desejado. As duas intervenções de 2022 inicialmente fizeram os preços do petróleo subirem, pois os mercados interpretaram a medida como um sinal de que a crise era mais grave do que se pensava.
Milhões de barris de crude e combustíveis continuam retidos em petroleiros que não conseguem atravessar o estreito, onde alguns navios têm sido atacados. A interferência nos sinais de navegação tornou a circulação de embarcações ainda mais difícil e perigosa na área.
Os 32 países que pertencem à AIE possuem colectivamente pelo menos 1,2 mil milhões de barris de petróleo em reservas públicas de emergência, segundo a organização, que supervisiona a libertação coordenada desses stocks.
A AIE já ajudou a implementar cinco intervenções desse tipo: antes da primeira Guerra do Golfo, após os furacões Rita e Katrina nos EUA (em 2005), depois do início da guerra civil na Líbia em 2011 e duas vezes em 2022, em resposta às perturbações provocadas pela guerra na Ucrânia.
Libertações anteriores de reservas estratégicas nem sempre tiveram o impacto desejado. As duas intervenções de 2022 inicialmente fizeram os preços do petróleo subirem, pois os mercados interpretaram a medida como um sinal de que a crise era mais grave do que se pensava, antes de posteriormente contribuírem para a queda dos preços.























































