A transmissão da política monetária para as taxas de juro praticadas pelos bancos, em Cabo Verde, é limitada, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira, 11 de Março, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o documento, “um aumento de um ponto percentual na taxa de política monetária conduz a um aumento entre 0,19 e 0,28 na taxa média de empréstimos e entre 0,13 e 0,23 nas taxas de longo prazo”.
O estudo, elaborado com base em dados mensais desde 2001, analisa a forma como as alterações da taxa de referência do Banco de Cabo Verde (BCV) se reflectem nas taxas aplicadas pelos bancos comerciais.
Segundo os autores, a transmissão é também assimétrica, sendo aproximadamente duas vezes mais forte em períodos de subida das taxas de juro do que em fases de descida, embora “permaneça globalmente reduzida”.
O FMI sublinha que o BCV iniciou em Maio de 2023 um ciclo de aperto da política monetária, o mais acentuado nas últimas duas décadas, com um aumento acumulado de 225 pontos base na taxa directora.
Apesar desse aumento, as taxas de juro praticadas pelos bancos não acompanharam de forma significativa a subida da taxa de referência, “o que evidencia desafios à transmissão da política monetária” na economia.
No relatório refere-se que factores como excesso de liquidez no sistema bancário, custos de financiamento dos bancos, prémios de risco e níveis de concentração no mercado podem explicar a fraca transmissão das decisões de política monetária para os juros praticados.
Cabo Verde tem oito bancos, dois deles a Caixa Económica e o Banco Comercial do Atlântico (BCA), com “elevada importância doméstica”, e outros dois, o Banco Cabo-verdiano de Negócios (BCN) e o Banco Interatlântico, com “ligeira importância doméstica”, segundo o banco central.
“A concentração bancária, ao reduzir a concorrência, dá aos bancos mais poder de mercado para definir as taxas de juro, o que, por sua vez, pode enfraquecer a transmissão das taxas de política monetária para as taxas de empréstimos e depósitos bancários”, conclui o FMI.
Fonte: Lusa

























































