Foi inaugurada nesta segunda-feira (9), em Luanda, Angola, uma nova fábrica de refinação de óleo vegetal (RAFINOLE), resultado de um investimento privado de 90 milhões de dólares, com capacidade para produção de até 400 toneladas por dia.
Segundo o ministro da Indústria e Comércio de Angola, Rui Miguêns, o investimento, com capacidade de produção anual de cerca de 100 mil toneladas, vai operar com quatro linhas de produção contínuas, dedicadas à refinação e embalamento de óleo alimentar.
Esta unidade dispõe igualmente de capacidade industrial para a produção de margarinas e gorduras vegetais, estimada em 18 mil toneladas por ano, bem como linhas destinadas à produção de maionese e outros condimentos, com uma capacidade projectada para cerca de 6 mil toneladas anuais, acrescentou o ministro.
Rui Miguêns, que discursava na cerimónia de inauguração desta fábrica localizada no município de Cacuaco, província de Luanda, disse que a RAFINOLE vai também produzir cerca de 7 mil toneladas de vinagre por ano.
“Parte desta capacidade já se encontra em operação: a refinação e o engarrafamento funcionam a cerca de 70% da capacidade instalada, enquanto a produção de margarinas e gorduras vegetais opera a cerca de 40%”, avançou o ministro.
Quanto à produção de maionese e outros condimentos encontra-se ainda em fase de instalação, com início previsto para Abril deste ano, estando já a decorrer a produção de vinagre na unidade industrial do Gabinete de Investimento de Angola (GIA), que opera actualmente a cerca de 50% da capacidade.
O ministro sublinhou que foram criados 130 postos de trabalho directos, “ocupados por cidadãos angolanos”, prevendo-se atingir quase 400 empregos directos até ao final deste ano.
O governante angolano destacou que a produção nacional de óleo alimentar registou um crescimento expressivo nos últimos anos, salientando que entre Janeiro e Julho de 2024 a produção atingiu cerca de 52 mil quilolitros, representando um aumento de quase 200% quando comparado com o mesmo período de 2023, em que se registaram aproximadamente 18 mil quilolitros.
“Este crescimento permitiu ao país alcançar níveis significativos de autonomia produtiva, com uma capacidade instalada que ultrapassa actualmente 1300 toneladas diárias de processamento de óleo vegetal”, observou.
O titular da pasta da Indústria e Comércio vincou que, apesar dos avanços alcançados, o Executivo continua empenhado em aprofundar o desenvolvimento desta cadeia de valor, com especial enfoque no aumento da produção nacional de oleaginosas, como a soja, o girassol e outras matérias-primas essenciais para a indústria de óleo alimentar.

Em declarações à imprensa, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, manifestou satisfação pela iniciativa, que no domínio do óleo alimentar permite ao país ter um nível de autonomia na refinação.
“Temos de continuar a trabalhar na integração, porque o óleo que é aqui refinado ainda é importado, portanto, vamos precisar de ter no campo mais produção de soja, girassol, e permitir que a transformação possa acontecer com maior segurança ainda neste exercício que o país vem fazendo de substituição de importações e reforço de exportações”, afirmou.
José de Lima Massano frisou que, com esta unidade, juntando-se àquelas que já existem, Angola ganhou capacidade de começar a exportar “com segurança”, acrescentando que os bens alimentares são essenciais e os investimentos feitos, com outras unidades que também vão entrar em funcionamento ainda este ano, o país vai conseguir manter a estabilidade de preços da sua economia.
“A inflação continua a ser fortemente influenciada pelos bens alimentares. Contudo, ao ganharmos maior autonomia na produção de alimentos, com uma oferta mais regular e menos quebras na produção, isso pode contribuir para a estabilidade dos preços na nossa economia.”
Fonte: Lusa

























































