A Electricidade de Moçambique (EDM) estima ter sofrido prejuízos superiores a 464 milhões de dólares nos últimos cinco anos devido ao roubo de energia e à vandalização de infra-estruturas eléctricas, um fenómeno que tem comprometido os planos de expansão da rede e atrasado a ligação de centenas de milhares de famílias ao sistema nacional.
De acordo com a Lusa, o presidente do conselho de administração da empresa pública, Joaquim Ou-chim, revelou que 462 milhões de dólares correspondem a perdas provocadas pelo roubo de energia, enquanto 2,2 milhões resultam da vandalização de infra-estruturas eléctricas, elevando o impacto financeiro global para 464,2 milhões de dólares no período em análise.
Segundo o responsável, o montante perdido teria permitido garantir novas ligações eléctricas para cerca de 580 mil famílias moçambicanas, contribuindo significativamente para acelerar o processo de electrificação no País.
Ou-chim explicou que a destruição e o furto de componentes da rede obrigam a empresa a redireccionar recursos inicialmente previstos para investimentos e expansão do sistema eléctrico para a reposição de equipamentos danificados ou roubados.
“Por sua vez, o roubo de energia reduz a receita a ser arrecadada pela EDM, impactando negativamente o financiamento de obras de expansão da rede para atender a mais famílias moçambicanas e comprometendo a execução de intervenções de melhoria da rede eléctrica, essenciais para garantir um fornecimento de energia mais estável e de melhor qualidade”, afirmou.
“Só nos últimos cinco anos, a EDM sofreu roubos de energia no valor de 462 milhões de dólares e vandalizações de infra-estruturas no montante de 2,2 milhões, totalizando um prejuízo global de 464,2 milhões de dólares.”
Joaquim Ou-chim – presidente do conselho de administração da EDM.
A EDM alerta que a persistência destes crimes constitui um dos principais entraves ao cumprimento da meta nacional de Acesso Universal à Energia até 2030, objectivo estratégico do Governo no âmbito da transformação económica e social do País.
Dados recentes da empresa indicam igualmente que, só em 2025, o roubo e a vandalização de material eléctrico provocaram prejuízos avaliados em cerca de 79 milhões de dólares, valor que ilustra a dimensão crescente do problema.
Além do impacto directo nas contas da empresa, o administrador sublinhou que estas práticas atrasam o processo de desenvolvimento nacional, uma vez que os recursos utilizados para repor infra-estruturas poderiam ser aplicados na ligação de novos consumidores e na melhoria da qualidade do fornecimento de energia.
As autoridades moçambicanas têm alertado para a existência de redes criminosas organizadas e com ramificações transnacionais dedicadas ao furto de material eléctrico, sobretudo cobre, defendendo maior cooperação regional para travar o fenómeno.
Países da África Austral, como África do Sul, Maláui, Tanzânia e Essuatíni, já adoptaram medidas mais restritivas, incluindo a proibição da exportação de sucata de cobre e a criminalização da vandalização de infra-estruturas eléctricas.
No território nacional, a província da Zambézia lidera o registo de casos de roubo de material eléctrico, seguida de Inhambane, segundo dados da empresa.
























































