A empresa logística sul-africana Grindrod anunciou que pretende reforçar a sua presença no corredor logístico de Maputo, com destaque para a expansão do terminal de granéis sólidos da Matola, uma infra-estrutura considerada estratégica para o escoamento de exportações na região.
De acordo com o portal Engineering News, a informação foi avançada pelo director-executivo da Grindrod, Kwazi Mabaso, durante a apresentação dos resultados financeiros do grupo relativos ao exercício findo a 31 de Dezembro, momento em que revelou que a empresa concluiu um processo interno de reorganização estratégica e prepara agora uma nova fase de crescimento.
Entre os projectos prioritários está a ampliação da capacidade do terminal da Matola, localizado no Porto de Maputo, que deverá passar a movimentar até 12 milhões de toneladas por ano. A infra-estrutura, actualmente detida a 100% pela Grindrod, registou em 2025 um volume recorde de 9,9 milhões de toneladas, consolidando a sua importância no escoamento de minerais e outras cargas a granel.
Segundo Mabaso, o projecto de expansão encontra-se em fase avançada de execução e deverá entrar em fase de testes operacionais no início de 2027.
Paralelamente, a empresa participa também na estratégia de desenvolvimento do Porto de Maputo através da Maputo Port Development Company (MPDC), entidade concessionária responsável pela gestão, operação e desenvolvimento do porto até 2058.
No âmbito dessa concessão, está prevista uma nova campanha de dragagem destinada a aumentar a profundidade e a capacidade operacional do porto. A intervenção deverá permitir a recepção de navios porta-contentores de grande dimensão e a operação plena de embarcações do tipo Cape-size no terminal da Matola.
De acordo com o responsável, o projecto permitirá elevar a capacidade de manuseamento no cais para navios com cerca de 170 mil toneladas, reforçando a competitividade do porto no contexto regional. A conclusão da dragagem está prevista para o final de 2027.
A Grindrod considera que o desenvolvimento das infra-estruturas portuárias e logísticas de Maputo tem desempenhado um papel determinante no crescimento das suas operações nas últimas duas décadas.
“Durante quase duas décadas fomos parceiros de longo prazo no Porto de Maputo através do investimento na MPDC e da operação do terminal da Matola. Nesse período transformámos um antigo terminal de granéis num moderno ponto de exportação com elevado desempenho”, afirmou Mabaso.
“Este é o primeiro projecto de expansão do terminal de granéis da Matola, em Maputo, que irá elevar a capacidade do terminal para 12 milhões de toneladas por ano.”
Kwazi Mabaso – director executivo da Grindrod
Segundo o dirigente, os volumes movimentados no terminal evidenciam essa evolução. Em cerca de 11 anos, a capacidade operacional passou de quatro milhões para cerca de 10 milhões de toneladas por ano.
Além do investimento em infra-estruturas portuárias, a empresa pretende reforçar a integração logística do corredor de Maputo através do transporte ferroviário de carvão a partir da África do Sul. Para esse efeito, a Grindrod prevê adquirir 50 vagões ferroviários, que permitirão transportar cerca de 400 mil toneladas de carvão por ano entre Belfast e Komatipoort, reforçando os volumes destinados ao terminal da Matola.
Os investimentos surgem numa fase em que o Porto de Maputo tem registado um crescimento contínuo na movimentação de carga, consolidando-se como uma das principais portas de saída de minerais e commodities da região da África Austral.
No plano financeiro, a Grindrod reportou um aumento de 1% nas receitas das operações principais, que atingiram cerca de 404 milhões de dólares, enquanto o lucro operacional do negócio central cresceu 13%, para aproximadamente 123 milhões de dólares, desempenho que a empresa atribui em grande medida à forte performance do terminal da Matola.

























































