Autoridades do Zimbabué afirmam que existe espaço para aumentar as exportações agrícolas para Moçambique e incentivam agricultores e empresas agro-industriais do país a explorar oportunidades no mercado moçambicano, tal como informou o The Herald Zimbabwe.
Segundo representantes diplomáticos do Zimbabué em Moçambique, supermercados e empresas do sector alimentar moçambicano demonstram interesse em vários produtos transformados provenientes daquele país, incluindo bebidas, pão, lacticínios e cereais.
Há também procura por produtos frescos como batata, tomate, cebola, couve e outros hortícolas, bem como frutas como uvas, maçãs e mirtilos. A procura inclui igualmente produtos pecuários, como frango, carne bovina e ovos provenientes do Zimbabué.
O reforço das relações agrícolas entre os dois países tem sido incentivado ao mais alto nível político. O Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, tem defendido o aprofundamento da cooperação agrícola bilateral no âmbito da Comissão Conjunta Permanente de Cooperação entre Moçambique e Zimbabué.
Essa orientação foi reiterada pelo embaixador do Zimbabué em Moçambique, Victor Matemadanda, durante encontros com autoridades locais na província de Sofala. Segundo o diplomata, a iniciativa visa facilitar o contacto entre agricultores dos dois países, promover a troca de conhecimento e reforçar a capacidade produtiva, com impacto na segurança alimentar regional.
Ao longo dos últimos anos, a ZimTrade, entidade responsável pela promoção do comércio externo do Zimbabué, tem organizado missões comerciais e encontros empresariais em cidades moçambicanas como Beira, Chimoio e Tete. As iniciativas permitem que empresas zimbabueanas estabeleçam contactos com parceiros moçambicanos e identifiquem oportunidades de cooperação e investimento.
“Recebemos um pedido para fornecer 90 toneladas de couve para hotéis em Moçambique, mas não conseguimos satisfazer a procura.”
Malvern Bere, cônsul-geral do Zimbabué em Moçambique
Apesar da proximidade geográfica e da procura identificada, persistem constrangimentos administrativos que dificultam a expansão das exportações agrícolas. Entre os principais desafios está a exigência de certificados fitossanitários para produtos vegetais, que implicam processos de inspecção e verificação sanitária antes da exportação.
Limitações na capacidade de inspecção e atrasos nos procedimentos podem afectar sobretudo produtos perecíveis, cuja comercialização depende da rapidez no transporte e na entrega.
Dados do comércio bilateral indicam que Moçambique continua a ser um parceiro relevante para o Zimbabué, figurando entre os principais destinos das exportações do país na região. Estatísticas comerciais mostram, contudo, que as exportações zimbabueanas para Moçambique diminuíram nos últimos anos, enquanto as importações provenientes do país vizinho aumentaram, sobretudo em produtos energéticos como combustíveis refinados e electricidade.
Neste contexto, representantes do Zimbabué defendem que o sector agrícola poderá contribuir para diversificar as exportações e reduzir o défice comercial. O cônsul-geral do Zimbabué em Moçambique, Malvern Bere, afirmou recentemente que existem pedidos concretos de fornecimento de produtos agrícolas que ainda não estão a ser plenamente satisfeitos.
Segundo o diplomata, um exemplo ocorreu quando hotéis em Moçambique solicitaram o fornecimento de 90 toneladas de couve, pedido que não pôde ser atendido devido a limitações de produção e de logística.
Para reduzir perdas pós-colheita e melhorar a capacidade de resposta à procura, estão igualmente em discussão iniciativas para a criação de infra-estruturas de armazenamento refrigerado em território moçambicano.



























































