Uma equipa do Instituto de Ciência de Materiais de Sevilha (ICMS) desenvolveu painéis solares capazes de produzir electricidade mesmo durante a chuva, com o suporte de um dispositivo híbrido baseado em material cristalino denominado perovskita. A investigação espanhola propõe, agora, uma solução que combina a captação de energia mecânica da água através de tecnologia solar.
O dispositivo híbrido concebido pela equipa do ICMS integra uma célula solar de perovskita com um sistema capaz de transformar o impacto das gotas de chuva em corrente eléctrica. Desta forma, o painel mantém-se activo sob o sol e produz energia em condições adversas.
A inovação, apresentada num artigo publicado na edição de Fevereiro da Nano Energy, parte de uma limitação conhecida: “As placas solares convencionais perdem rendimento em dias de céu encoberto ou durante períodos prolongados de precipitação”. Esta dependência quase exclusiva da radiação solar trava a sua implementação em regiões com elevada humidade ou chuvas frequentes.
A chave técnica reside num protector com apenas 100 nanómetros de espessura, desenvolvido através da tecnologia de plasma. O revestimento actua como “camada protectora”, que preserva a estabilidade química do material cristalino e, ao mesmo tempo, melhora a absorção de luz. Além de proteger, a superfície funciona como gerador triboeléctrico que converte a energia cinética das gotas em electricidade.
Durante os ensaios realizados nas instalações do ICMS, uma única gota de chuva gerou uma diferença de potencial de 110 V, suficiente para alimentar pequenos dispositivos portáteis.
“O nosso trabalho propõe uma solução avançada que combina a tecnologia fotovoltaica de células solares de perovskita com nanogeradores triboeléctricos numa configuração de película fina, que demonstra a viabilidade de implementar ambos os sistemas de captação energética”, afirmou a investigadora Carmen López.
O desenvolvimento é relevante para a expansão da Internet das Coisas (IoT) e de sensores exteriores destinados a monitorizar infra-estruturas ou variáveis ambientais. Além disso, pontes, grandes estruturas ou sistemas de agricultura de precisão poderão beneficiar de uma fonte de energia mais estável e autónoma, mesmo em ambientes de chuva constante.
Os autores do estudo sublinham que os revestimentos obtidos por plasma representam uma solução multifuncional: protegem dispositivos energéticos sensíveis e, em simultâneo, recolhem energia a partir de diferentes fontes ambientais.
Fonte: Zap Aeiou
























































