Cientistas do Instituto de Automação da Academia de Ciências da China e da Universidade de Pequim desenvolveram uma rede neural inovadora que permite à Inteligência Artificial (IA) simular um dos aspectos mais fundamentais da cognição humana. A inovação permite a formação de conceitos a partir de dados sensoriais brutos, como imagens e sons.
Uma das habilidades mais sofisticadas do cérebro humano é transformar experiências ligadas à percepção e ao movimento em representações abstractas e utilizá-las de forma flexível. Até agora, porém, o mecanismo computacional por detrás desse processo não era totalmente compreendido.
De acordo com a TV Brics, essa limitação ajuda a explicar por que grandes modelos de linguagem ainda dependem principalmente de dados linguísticos preexistentes, tendo em conta a dificuldade para gerar novos conceitos com base na experiência directa.
A arquitectura criada pelos pesquisadores é composta por dois módulos principais: um responsável pela abstracção de conceitos e outro voltado para a execução de tarefas. Na prática, o sistema consegue processar informações visuais, como imagens, para realizar actividades de reconhecimento e julgamento. Além disso, é capaz de construir de forma autónoma um amplo repertório de novos conceitos, organizados no seu próprio “espaço conceptual”.
Segundo os cientistas, quando os espaços conceptuais de diferentes sistemas de IA são alinhados, torna-se possível transmitir conhecimento directamente através dessas estruturas internas, sem necessidade de recorrer a grandes volumes de dados intermédios.
Estudos de neuroimagem indicam que a organização conceptual gerada pelo novo sistema apresenta uma forte correspondência com padrões cognitivos e linguísticos humanos. O modo de funcionamento da tecnologia também revelou semelhanças com a actividade de áreas do cérebro associadas ao processamento de conceitos.
Neste sentido, os resultados sugerem que a investigação não se limita a reproduzir superficialmente funções cerebrais, mas contribui para uma compreensão mais profunda dos mecanismos computacionais que permitem aos seres humanos formar, organizar e aplicar conceitos no pensamento quotidiano.























































