Os principais índices asiáticos encerraram a negociação com ganhos pela primeira vez desde o início da guerra entre os Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irão, com o sentimento dos investidores a ser impulsionado pelos ganhos registados nesta quarta-feira (4), tanto pela Europa como em Wall Street. Ainda assim, a recuperação poderá ser curta, já que os futuros do Euro Stoxx 50 cedem nesta manhã cerca de 0,60%, enquanto os do S&P 500 caem 0,30%.
Pelo Japão, o Nikkei e o Topix pularam 1,90%. Já o sul-coreano Kospi – que nesta quarta-feira teve a sua maior queda de sempre com um tombo de 12% – disparou hoje 9,63%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong valorizou 0,35% e o Shanghai Composite ganhou 0,64%. Por Taiwan, o TWSE subiu 2,57%.
A recuperação das acções asiáticas reflectiu uma reavaliação das possíveis consequências da guerra no Médio Oriente, à medida que os investidores ponderavam os riscos de um crescimento global mais lento e um novo choque inflacionário devido aos preços mais elevados da energia. Ainda assim, qualquer recuperação pode revelar-se curta sem uma visibilidade mais clara sobre a duração do conflito.
“Penso que os participantes no mercado estão a observar e a tentar dizer ‘como é que isto vai acabar? Qual será o resultado final?’”, disse à Bloomberg David Solomon, do Goldman Sachs. “À medida que tiverem mais informações nos próximos dias, na próxima semana ou nas próximas duas semanas, acho que isso terá impacto nos prémios de risco”, acrescentou o especialista, que, na quarta-feira, se mostrou “surpreendido” pela reacção “benigna” dos mercados.
Esta incerteza sobre quanto tempo o conflito poderá durar está a levar os investidores a olharem para a história recente como um guia para os mercados. Nesta medida, muitos estão a rever as negociações feitas após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, apostando que o aumento dos preços da energia nesta semana irá alimentar a inflação, provocando uma valorização duradoura do dólar, bem como uma desvalorização das obrigações e das acções. “Se o sentimento positivo desta quinta-feira irá durar ou não depende das notícias que recebermos do Médio Oriente nos próximos dias”, afirmou, por sua vez, Tim Waterer, da KCM Trade, à agência de notícias.
“O sentimento do mercado pode mudar rapidamente, dependendo se a escalada ou a desaceleração parecem ser o caminho mais provável num determinado momento”, destacou.
O Governo da China – maior importador de crude do mundo – ordenou que as maiores refinarias de petróleo do país suspendessem as exportações de diesel e gasolina, já que o conflito no Golfo está a interromper a exportação de petróleo bruto de uma das maiores regiões produtoras do mundo. Ainda pela China, as acções valorizaram, mesmo depois de Pequim ter definido a sua meta de crescimento do Produto Interno Bruto para 2026 entre 4,5% e 5%, o objectivo de crescimento mais baixo desde 1991.
























































