O PROCULTURA anunciou, nesta quinta-feira, 5 de Março, em Maputo, que durante a implementação do projecto foram mobilizados 7,5 milhões de euros, permitindo a criação de 824 empregos e o fortalecimento de 108 entidades culturais nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e em Timor-Leste. A iniciativa, financiada pela União Europeia (UE) e co-financiada pelo Camões e pela Fundação Calouste Gulbenkian, reuniu autoridades, artistas e parceiros internacionais na Galeria do Porto para a apresentação oficial dos resultados alcançados desde 2019.
A apresentação foi conduzida por Mercedes Pinto, gestora do projecto pelo Camões, que destacou a abrangência e o impacto das acções desenvolvidas ao longo de vários anos de implementação. Segundo explicou, o programa mobilizou estudantes, professores, artistas, criadores e empreendedores culturais, contribuindo para o surgimento de novas competências, projectos e dinâmicas no sector cultural e criativo.
O PROCULTURA envolveu mais de 1800 estudantes e artistas, com iniciativas nas áreas da música, produção cultural e artes cénicas, contando ainda com parcerias institucionais de diversos países e organizações internacionais.
Entre os resultados alcançados, 660 dos empregos criados permanecem activos, sendo que o projecto apoiou 106 estudantes do ensino superior em cursos e programas de mobilidade em 11 universidades portuguesas. No campo artístico, 50 artistas receberam 58 bolsas de estudo e residências, com 88% deles a registarem um aumento significativo da sua actividade profissional após a participação.
Oficinas de escrita criativa envolveram mais de 400 jovens leitores, resultando na publicação de 49 obras, enquanto formações em gestão cultural, empreendedorismo e políticas públicas beneficiaram mais de mil profissionais.
Mercedes Pinto salientou que o PROCULTURA não se resume apenas aos números apresentados: “Trata-se de pessoas, artistas e estudantes que cresceram ao longo dos anos, formando um ecossistema cultural mais sólido e dinâmico”, afirmou.
O projecto também promoveu a internacionalização de artistas e instituições culturais, apoiando a participação em feiras e eventos internacionais de música, dança, teatro e literatura, incluindo a Feira do Livro de Bruxelas e apresentações no Museu da Banda Desenhada.
O programa também se concentrou na formação de profissionais que trabalham nos bastidores do sector cultural. Técnicos de som e iluminação, cenógrafos e outros profissionais foram incluídos em iniciativas de formação e oportunidades de criação de emprego, reforçando a ideia de que o desenvolvimento das indústrias culturais envolve tanto os artistas que actuam no palco quanto aqueles que garantem a produção e a qualidade dos espectáculos e actividades culturais.
O encarregado de Negócios da Delegação da UE em Moçambique, Duarte Graça, anunciou o lançamento do PROCULTURA 2, uma nova fase do programa de apoio às indústrias culturais nos PALOP e Timor-Leste, orçada em 10 milhões de euros
Mesmo após o encerramento formal desta fase, encontros internacionais de artes cénicas, apresentações de música tradicional e actividades literárias continuam previstos. As iniciativas pretendem garantir que o impacto do PROCULTURA se estenda para além do período de implementação, consolidando de forma duradoura as indústrias culturais e criativas nos países participantes e reforçando o papel da cultura como factor de identidade, diversidade e desenvolvimento económico.
A iniciativa visa dar continuidade aos resultados do primeiro ciclo, que nos últimos seis anos transformou a realidade cultural da região, mobilizando criadores, fortalecendo instituições e promovendo indústrias culturais locais.
Texto: Germano Ndlovo

























































