O Governo da África do Sul pretende nomear um parceiro do sector privado para impulsionar a venda de obrigações do Tesouro destinadas a pequenos investidores, numa estratégia que poderá reduzir a dependência de investidores institucionais e aliviar os custos de financiamento do Estado, noticiou a Bloomberg, nesta terça-feira, 3 de Março.
“Há uma grande oportunidade”, afirmou o director-geral do Tesouro Nacional, Duncan Pieterse, em entrevista à Bloomberg, em Joanesburgo.
O actual programa de venda de obrigações a retalho da África do Sul angaria cerca de 184 milhões de dólares por ano, totalizando pouco mais de 1,2 mil milhões de dólares em circulação, segundo o Tesouro.
Pieterse considera que este valor está abaixo do potencial do mercado de retalho e que, se as vendas forem aumentadas de forma sustentada — por exemplo, até 1,8 mil milhões de dólares — o Governo poderá reduzir a dependência de investidores institucionais e diminuir o volume dos leilões semanais de obrigações.
Segundo explicou, essa mudança permitiria retirar parte da oferta de obrigações de taxa fixa e indexadas à inflação do mercado, comprimindo os rendimentos exigidos pelos investidores e contribuindo para a redução das taxas de juro.
A necessidade de financiamento do Estado sul-africano deverá cair para 23,5 mil milhões de dólares em 2026-27, face aos 34,9 mil milhões de dólares no actual exercício fiscal, antes de voltar a subir para 35,3 mil milhões de dólares em 2027-28.
O rand e as obrigações de referência do Governo registaram fortes ganhos nos últimos meses, impulsionados pela crescente confiança de que o Tesouro conseguirá cumprir a promessa de controlar as finanças públicas, bem como pela adopção de uma meta de inflação de 3% pelo banco central, apoiada explicitamente pelo ministro das Finanças, Enoch Godongwana, em Novembro do ano passado.
Pieterse espera que o parceiro privado seja nomeado até à apresentação do orçamento do próximo ano, em Fevereiro de 2027, permitindo ao Tesouro avaliar melhor o potencial de base para a emissão de obrigações a retalho.
Embora continue a existir interesse dos investidores, o calendário da próxima emissão dependerá do avanço dos projectos de infra-estrutura que obtenham aprovação oficial. O responsável sublinhou que o investimento em infra-estrutura é uma prioridade estratégica devido ao seu impacto económico e na prestação de serviços públicos.
O governante mostrou-se ainda optimista quanto à emissão de novas obrigações de infra-estrutura, depois da estreia deste instrumento ter registado forte procura no ano passado, angariando 732 milhões de dólares.


























































