As Nações Unidas não conseguiram mobilizar 10% dos 187 milhões de dólares que consideram necessários para “fornecer assistência urgente e vital” a 620 mil pessoas afectadas pelas inundações em Moçambique. Segundo dados divulgados, até esta segunda-feira, 2 de Março, tinham sido angariados apenas 15 milhões de dólares.
De acordo com um relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), citado pela Lusa, “inundações severas e prolongadas” afectaram grande parte do território nacional, sobretudo em Janeiro, nas regiões Sul e Centro do País.
“O transbordo dos rios deslocou comunidades inteiras e danificou ou destruiu casas, escolas, unidades sanitárias, sistemas de abastecimento de água e infra-estruturas rodoviárias críticas”, refere o documento. Só as cheias de Janeiro afectaram mais de 724 mil pessoas e provocaram 43 mortos.
Desde o início da época chuvosa, em Outubro do ano passado, o número de vítimas mortais ascende a 258, enquanto quase 870 mil pessoas foram afectadas em todo o País. O OCHA sublinha que, “desde o início da emergência”, as Nações Unidas e os parceiros humanitários têm trabalhado “em estreita colaboração com as autoridades nacionais e locais” para prestar assistência às populações atingidas.
Ainda assim, o relatório alerta que “a escala e a velocidade da crise excederam a capacidade de resposta existente”. A adenda ao Plano Nacional Humanitário de Resposta a Inundações de 2026 solicita 187 milhões de dólares para apoiar 620 mil pessoas, das quais 210 mil já receberam algum tipo de assistência.
Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que o total de mortos subiu para 258, mais um em relação ao balanço anterior. No total, 869 031 pessoas, correspondentes a 200 842 famílias, foram afectadas. Há ainda registo de 12 desaparecidos e 331 feridos.
As cheias de Janeiro, por si só, causaram pelo menos 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando 724 131 pessoas. Já o ciclone Gezani, que atingiu a província de Inhambane nos dias 13 e 14 de Fevereiro, provocou quatro mortos e afectou 6165 pessoas, segundo o INGD.
No mesmo período, 15 330 casas ficaram parcialmente destruídas, 6181 foram totalmente devastadas e 183 824 ficaram inundadas. Foram igualmente afectadas 302 unidades sanitárias, 83 locais de culto e 717 escolas. No sector agrícola, 555 040 hectares foram atingidos, dos quais 288 016 considerados perdidos, afectando 365 784 agricultores.
Os dados apontam ainda para a morte de 530 998 animais e para danos em 7845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos. Desde Outubro de 2025, foram activados 149 centros de acomodação, que acolheram 113 478 pessoas. Actualmente, mantêm-se 20 centros em funcionamento, albergando pelo menos 5852 pessoas.

























































