O petróleo está a ampliar o aumento nos preços registado na sessão de segunda-feira (2) e negoceia com valorizações de cerca de 4%, à medida que os Estados Unidos da América (EUA) e Israel intensificam a guerra contra o Irão, que se está a alastrar a outras zonas do Médio Oriente. Já o preço do gás natural europeu continua a escalar nesta terça-feira, tendo subido mais de 60% desde o fecho das negociações do final da semana passada.
A influenciar os preços do crude está sobretudo o facto de Teerão ter, nesta segunda-feira, decretado o encerramento do Estreito de Ormuz – via marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás produzidos ao nível mundial. Apesar do fecho da via ter sido rejeitado mais tarde pela Administração norte-americana, as embarcações, à semelhança do que tem vindo a ser registado desde o início do conflito no sábado (28), estão a evitar navegar pelo Estreito controlado em grande parte pelo Irão e Omã, sob pena de poderem ser atingidos por ataques militares.
Nesta linha, Ebrahim Jabbari, conselheiro do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, disse na segunda-feira à televisão estatal iraniana que as forças do país “incendiarão qualquer navio que tente passar” pelo Estreito de Ormuz.
Por enquanto, os aumentos nos preços do crude “permanecem contidos — apesar da impressionante extensão geográfica do conflito e da crescente proximidade com a infra-estrutura energética — reflectindo que um prémio de risco substancial já está precificado”, escreveram analistas do JP Morgan numa nota citada pela Bloomberg.
Na segunda-feira, a Saudi Aramco suspendeu as operações na sua refinaria de Ras Tanura após um ataque com drones ter sido registado na área. Já o Qatar – segundo maior exportador de gás a nível global – encerrou a produção de gás natural liquefeito (GNL) na maior instalação de exportação de GNL do mundo – responsável por cerca de um quinto deste combustível produzido em todo o mundo -, depois de ter sido alvo de um ataque iraniano.
Os preços do gás natural europeu disparam nesta terça-feira mais de 20% e negoceiam com uma volatilidade não vista desde a crise energética de 2022 após a invasão russa da Ucrânia. Os futuros neerlandeses para entrega em Abril, referência para o gás na Europa, somam mais de 23%, para 54,76 euros por megawatt-hora.
À medida que o aumento nos preços da energia ressuscita preocupações em torno da inflação, o conflito está já a afectar fortemente os custos das transportadoras. O custo do transporte de petróleo bruto do Médio Oriente para a China atingiu o nível mais alto já registado na segunda-feira, de acordo com dados da Baltic Exchange.
A China — maior importador mundial de petróleo — apelou a todas as partes envolvidas na guerra para que garantam a passagem segura dos navios pelo Estreito de Ormuz. O país “apela todas as partes a cessarem imediatamente as operações militares, evitarem o agravamento das tensões e salvaguardarem a segurança da navegação”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, numa conferência de imprensa em Pequim, nesta terça-feira.
Na segunda-feira, a Bernstein elevou a sua previsão para o preço do petróleo Brent em 2026 de 65 dólares para 80 dólares por barril, mas a casa de investimento acredita que os preços podem chegar à faixa entre 120 e 150 dólares num caso extremo de conflito prolongado.























































