A australiana South32 avançou que processo de encerramento e reforma da fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, está avaliado em cerca de 119 milhões de dólares, acrescentando que se encontra em contacto com o Governo para definir os cronogramas. A decisão de encerramento, marcada para Março, foi tomada após se ter falhado a obtenção de um novo acordo de fornecimento eléctrico a preços competitivos.
“Para nós, é extremamente decepcionante. Empregamos pessoas incríveis, que trabalham muito. Caso tivéssemos conseguido um contrato de energia acessível, a fundição poderia continuar a operar por mais de 20 anos”, lamentou Graham Kerr, director-executivo da South32, principal accionista da Mozal.
Citado pelo Engineering News, o responsável afirmou que a South32 tem estado em contacto com os funcionários para discutir o futuro, indemnizações por demissão, incentivos e outros assuntos, recordando que cerca de quatro mil empregos directos devem ser afectados, incluindo funcionários da empresa e terceirizados, assim como cerca de 20 mil empregos indirectos também sofrerão impactos.
“Este cenário representa cerca de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique e para muitas dessas pessoas, infelizmente, não há muitos empregos próximos onde possam ser recolocadas. Os custos com demissões, rescisões contratuais e outros gastos relacionados são estimados em cerca de 60 milhões de dólares”, descreveu.
Graham Kerr acrescentou que o grupo prevê incorrer em custos de manutenção e conservação de 5 milhões de dólares por ano para manter a segurança básica em torno da Mozal, destacando que, depois de encerrada, será difícil e dispendioso retomar com as operações na fundição.
“Uma fundição de alumínio, uma vez fechada, não é como uma mina que pode simplesmente ligar e desligar. Todos os fornos provavelmente teriam que ser reformados e reparados, e o custo de revestir um forno é alto. Além disso, a cada dia que a usina estiver em regime de manutenção, não importa o que se faça, a degradação aumenta”, sustentou.
“Já depreciámos a maior parte do valor dos activos, então, na prática, reduzimos o valor da fábrica e dos equipamentos a zero. Ainda temos um pouco de capital de giro na empresa. Já procurámos uma alternativa para a produção de alumínio, caso não haja negócios”, afirmou.
Na publicação, o director-executivo da South32 recordou que o grupo não conseguiu garantir os cerca de 940 MW de energia contínua necessários para a Mozal, visto que o contrato de fornecimento vigente termina em Março, frisando que em Dezembro de 2025, foram interrompidas as compras de matérias-primas, itens de longo prazo e alto custo.
“As condições de seca restringiram a capacidade da moçambicana Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) de fornecer energia no futuro, apesar de várias negociações com o Governo. Nos termos do contrato actual, a empresa de serviços públicos sul-africana Eskom supriria a demanda de energia quando a HCB não pudesse fornecê-la”, elucidou.
Segundo Kerr, a South32 não conseguiu chegar a um acordo com a Eskom sobre um novo contrato, apesar de anos de negociações. “Conversámos um tempo, mas o preço pelo qual poderiam nos vender a energia tornaria a Mozal totalmente inviável”.
“Nos últimos seis meses, a HCB forneceu apenas 10% da energia necessária para a Mozal, deixando para a Eskom a responsabilidade de suprir cerca de 90%. Portanto, a Eskom agora teria que encontrar outro comprador para essa demanda”, afirmou, alertando que isso pode ter um impacto negativo nos lucros da concessionária.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que a suspensão das actividades da Mozal representa um risco para a economia. “Os riscos para as perspectivas económicas de Moçambique são actualmente fortemente negativos, tendo como exemplo a suspensão da Mozal, que representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB)”, descreveu o relatório de avaliação do FMI à economia moçambicana no âmbito das consultas regulares, aprovado em 13 de Fevereiro.
De acordo com a entidade financeira, ainda entre os riscos externos que o País enfrenta, incluem-se “pandemias, desastres naturais, conflitos regionais, reduções da ajuda externa e volatilidade dos preços das matérias-primas”, enquanto os riscos internos “incluem o aumento da insegurança em Cabo Delgado, que pode atrasar os projectos de gás natural liquefeito (GNL), a escassez de divisas e o fraco desempenho do sector não relacionado com a mineração”.
“As negociações em curso sobre as tarifas de electricidade com a Mozal representam riscos adicionais. Os riscos positivos incluem a produção de GNL antecipada em relação ao esperado no projecto Coral Norte da Eni”, lê-se na mesma posição, que também acrescenta que as “vulnerabilidades fiscais podem intensificar-se devido às pressões sobre as despesas e aos prejuízos das empresas estatais.”
No ano passado, o Governo assegurou estar a acompanhar de perto a situação da empresa, após o anúncio da suspensão das actividades, devido à inexistência de um novo acordo de fornecimento de energia eléctrica. Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, existe uma equipa técnica a trabalhar com a Mozal e com as entidades envolvidas para evitar impactos negativos sobre os trabalhadores, fornecedores e demais partes interessadas.
“Há uma equipa que está a fazer o seu trabalho com a Mozal, com as entidades envolvidas, para garantir que o futuro da empresa não seja prejudicial a nenhuma das partes”, afirmou Inocêncio Impissa.
Sem adiantar detalhes sobre o estágio das negociações, o responsável esclareceu que qualquer decisão será tornada pública no momento oportuno. “Quando o resultado estiver efectivamente concluído, será anunciado através do Conselho de Ministros ou pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que está a acompanhar as questões substantivas com a Mozal”, explicou.
























































