Um projecto de Inteligência Artificial (IA) no valor de 9,8 mil milhões de dólares, liderado por um consórcio energético sul-coreano, pretende transformar a África do Sul num importante centro digital, reforçando a investigação em IA e a infra-estrutura de dados, embora já estejam a surgir preocupações relacionadas com a governação e a supervisão.
A proposta, que posiciona a África do Sul como um potencial nó numa corrida global em rápida expansão pela infra-estrutura de IA, suscitou preocupação política a nível metropolitano, segundo um relatório do portal MyBroadband.
O partido Aliança Democrática (AD) afirmou que a dimensão do investimento exige muito mais transparência.
“À primeira vista, a proposta parece boa demais para ser verdade”, disse André Beetge, membro do Comitê Executivo da AD e vereador municipal na região metropolitana de eThekwini (Durban), referindo-se ao investimento de capital projectado, que varia entre 3 e 10 mil milhões de dólares, além de construção e empregos permanentes.
No entanto, Beetge argumenta que os pormenores permanecem “notavelmente ausentes”.
O governante assinalou que, quando anteriormente foi proposta uma central de dessalinização perto do mesmo local, os vereadores foram formalmente informados e foi promovida a participação pública. “Contudo, neste caso, só tomámos conhecimento desta proposta no início desta semana, quando apareceu na agenda da comissão”, afirmou.
Centros de dados tornam-se focos de tensão a nível mundial
Os centros de dados tornaram-se pontos críticos em todo o mundo. À medida que a adopção da IA acelera, a procura de energia dispara.
Prevê-se que o consumo global de electricidade relacionado com a IA mais do que duplique nesta década, exercendo pressão sobre redes eléctricas já sobrecarregadas pelas metas de descarbonização e pela procura industrial.
O consumo de água para arrefecimento, a ocupação de terrenos e o impacto ambiental têm levado a um maior aperto regulatório nos Estados Unidos, no Reino Unido e em partes da União Europeia.
Um teste à infra-estrutura e à governação
Beetge questionou como pode o município assumir de forma responsável um projecto desta dimensão num contexto de fornecimento eléctrico instável e perdas de água superiores a 50%. “Como podemos, então, comprometer-nos responsavelmente com um projecto desta magnitude sem antes estabilizar a infra-estrutura básica?”, perguntou.
O local proposto situa-se, alegadamente, dentro do Sistema Metropolitano de Espaços Abertos de Durban (D’MOSS), uma área ambientalmente sensível com cerca de 94 mil hectares. As preocupações vão desde os riscos de corrosão costeira e a proximidade da linha férrea até à mitigação ambiental e às necessidades de consumo de água.
A nível global, os investimentos bem-sucedidos em centros de dados dependem cada vez mais da criação de valor local, incluindo a integração de energias renováveis, a modernização das redes eléctricas, a reciclagem de água, a transferência de competências e a garantia de participação da mão-de-obra local.
Sem estas salvaguardas, alertam os críticos, as cidades anfitriãs arriscam-se a tornar-se enclaves de elevado consumo energético, com benefícios limitados para a economia local.
“Não nos opomos ao progresso”, afirmou Beetge. “Mas opomo-nos à opacidade. O investimento deve ser responsável. O desenvolvimento deve ser sustentável. A governação deve ser transparente”, acrescentou.
Fonte: Business Insider Africa

























































