A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) apelou, esta sexta-feira (27), ao Banco Mundial (BM) para flexibilizar as exigências de acesso ao crédito, sobretudo para as Pequenas e Médias Empresas (PME). O pedido surgiu no âmbito do novo Quadro de Parceria (CPF, sigla em inglês) 2026-31, recentemente anunciado para o País. A CTA alertou que os critérios previstos podem ser excessivamente “exigentes” para a maioria das empresas nacionais. Por isso, defende-se uma revisão das condições de financiamento.
Falando à margem de uma reunião com o Banco Mundial, Kekobad Patel, representante da CTA, explicou que é essencial reavaliar os requisitos actualmente propostos. Segundo o responsável, muitas exigências são, na prática, proibitivas para as PME. Recordou ainda que estas empresas constituem a base do sector privado moçambicano, pelo que qualquer limitação no acesso ao crédito afecta directamente a actividade económica nacional.
Kekobad Patel acrescentou que a instituição financeira internacional está a estudar formas de tornar os mecanismos de crédito mais inclusivos. “Esta é uma das preocupações que o Banco Mundial está, neste momento, a avaliar, a ver como essas facilidades podem ser mais acessíveis junto dos empresários moçambicanos”, declarou, sublinhando que a nova abordagem permitirá um maior envolvimento do sector privado. Tal participação poderá tornar os programas mais ajustados à realidade empresarial.
O representante da CTA sublinhou que o tecido empresarial moçambicano é composto, em grande parte, por PME. “É para elas que deverá ser encontrada uma solução que lhes garanta um acesso mais facilitado”, afirmou. Kekobad Pate acrescentou que o êxito do novo CPF dependerá da inclusão efectiva dessas empresas, alertando que, sem o devido ajustamento, “os objectivos estabelecidos poderão não ser alcançados.”
Por seu turno, Zarau Kibwe, director‑executivo da Primeira Constituência Africana do Banco Mundial, destacou que o encontro serviu igualmente para identificar os sectores prioritários para futuros financiamentos. O agro‑negócio foi apontado como área estratégica, dada a forte dependência da população em relação à agricultura. “Debatemos várias áreas em que consideramos que o BM pode apoiar, começando pelo agro‑negócio”, afirmou. O sector agrícola surge, por isso, como um pilar central da economia nacional.
Além do agro-negócio, foram analisados o turismo e o sector logístico como vectores de transformação económica. Zarau Kibwe afirmou que estas áreas têm potencial para impulsionar o crescimento e diversificar as fontes de rendimento do País.
Foi também debatida a forma de reforçar a cooperação entre o Governo e o sector privado. “Eu acho que o País tem tudo o que precisa para transformar a economia”, concluiu o director executivo.
“Discutimos o número de áreas onde pensamos que o Banco Mundial pode apoiá-los, começando pelo agro-negócio”
Zarau Kibwe
Recentemente, o Banco Mundial anunciou a disponibilização de 200 milhões de dólares para mitigar os efeitos das inundações e da actual época chuvosa. Desde Outubro do ano passado, as cheias provocaram 242 mortos e afectaram quase 870 mil pessoas em todo o País.
Após uma reunião na Presidência da República, em Maputo, com o Presidente Daniel Chapo, foram ainda detalhadas novas linhas de apoio. A ministra das Finanças, Carla Loveira, anunciou uma linha de “prevenção para a resiliência”, no valor de 450 milhões de dólares, com duração de três anos.
Fonte: Lusa
























































