Cientistas do Centro RIKEN para Ciência da Matéria Emergente, em colaboração com a Universidade de Tóquio, desenvolveram um novo tipo de plástico conhecido como alquil SP 2, capaz de dissolver-se na água do mar em poucas horas, sem deixar vestígios.
O principal diferencial deste material relativamente aos tradicionais está na velocidade da decomposição e na ausência de resíduos persistentes. Em testes realizados em laboratório na cidade de Wako, nos arredores de Tóquio, um pequeno fragmento do plástico desapareceu cerca de uma hora após ser agitado na água salgada.
Segundo o líder do projecto, Takuzo Aida, o material apresenta resistência semelhante à dos plásticos derivados do petróleo, mas degrada-se rapidamente tanto na água do mar quanto no solo. Além disso, é atóxico, não inflamável e não libera dióxido de carbono durante o processo de decomposição.
De acordo com o cientista, ao se dissolver, o plástico decompõe-se nos seus componentes originais, que podem ser digeridos por bactérias naturais. Esse processo impede a formação de microplásticos – partículas minúsculas e persistentes associadas a danos à vida marinha e à entrada de contaminantes na cadeia alimentar.
O plástico é altamente durável, reciclável e pode ser remodelado quando exposto a temperaturas acima de 120 °C. A degradação não ocorre apenas no ambiente marinho. O sal presente no solo também desencadeia o processo: um pedaço de cerca de cinco centímetros desintegra-se em terra após aproximadamente 200h.
O novo plástico supramolecular, ainda em fase inicial de desenvolvimento, representará um contributo relevante no combate à poluição. Ainda sem planos comerciais anunciados, a equipa dedica-se ao aprimoramento de métodos de revestimento que permitam a utilização do material de forma semelhante ao plástico tradicional, sem comprometer a sua capacidade de dissolução rápida.
O material dissolve-se na água do mar entre duas e oito horas, sem gerar microplásticos ou substâncias tóxicas e transforma-se em nutrientes para bactérias sem gerar microplásticos ou poluição tóxica. É resistente, reciclável, pode ser remodelado a altas temperaturas e permite recuperar mais de 80% dos seus componentes. No solo, decompõe-se em poucos dias, com capacidade de actuar como fertilizante.
Num contexto em que são produzidas anualmente mais de 500 milhões de toneladas de plástico a nível global, a inovação surge como uma possível resposta à crise ambiental, através do reforço da necessidade de soluções sustentáveis e de políticas públicas alinhadas com a ciência.
Fonte: Ciclo Vivo

























































