O Governo dos Estados Unidos da América vai financiar com 1,8 milhão de dólares o estudo de viabilidade para a exploração de terras raras no monte Muambe, distrito de Moatize, província de Tete, num projecto considerado estratégico para os interesses norte-americanos no acesso a minerais críticos, tal como informou a Lusa.
O apoio será canalizado através da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos da América (USTDA, na sigla em inglês), ao abrigo de uma subvenção formalizada esta sexta-feira (27) em Maputo com a Monte Muambe Mining (MMM), subsidiária da britânica Altona Rare Earths, que desde 2021 já investiu 4 milhões de dólares em actividades de prospecção naquela área.
Na ocasião, a encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique, Abigail Dressel, afirmou que o financiamento permitirá avançar com trabalho técnico essencial para reduzir riscos do projecto e criar condições para mobilizar capital adicional destinado ao desenvolvimento da mina.
“O projecto expandirá e fortalecerá o sector mineiro em Moçambique, impulsionará a sua economia e contribuirá para o desenvolvimento responsável dos recursos naturais”, declarou, sublinhando que a iniciativa se enquadra na estratégia norte-americana de reforço do acesso a minerais críticos indispensáveis aos sectores industriais e de defesa.
Segundo explicou, a subvenção apoiará estudos metalúrgicos e de engenharia de processos, considerados determinantes para estruturar a futura exploração e processamento dos minérios. A responsável destacou ainda que o objectivo passa por estabelecer ligações entre o promotor do projecto e potenciais compradores norte-americanos, contribuindo para cadeias de abastecimento mais resilientes e diversificadas.
Do lado da empresa, o administrador da MMM e director-executivo da Altona Rare Earths, Cedric Simonet, referiu que o financiamento abre caminho à instalação de uma unidade adicional de separação de minerais no distrito de Moatize, reforçando a capacidade de processamento local e a agregação de valor em território nacional.
“A adição de valor no País e na região constitui um dos pilares da nossa política de responsabilidade social e corporativa e continuará no centro dos nossos esforços”, afirmou, acrescentando que, além das terras raras, o monte Muambe apresenta ocorrências de fluorite e gálio.
“Apoiará o trabalho técnico inicial necessário para reduzir riscos e, em última análise, atrair financiamento para o desenvolvimento desta mina de terras raras em Moçambique.”
Abigail Dressel – encarregada de negócios da Embaixada dos EUA em Moçambique
Através de um comunicado, a USTDA salientou que o financiamento “irá reduzir os riscos do desenvolvimento de uma nova mina e instalação de processamento para produzir materiais de terras raras críticos para os interesses comerciais e de defesa” dos Estados Unidos.
Com 780 metros de altitude, o monte Muambe é um vulcão inactivo situado a leste de Moatize. A sua caldeira é composta por carbonatitos ricos em fluorite azul e amarela, formações geológicas associadas à presença de minerais estratégicos como o gálio e elementos de terras raras.
A Altona Rare Earths é uma empresa mineira cotada na bolsa de Londres, focada na prospecção e desenvolvimento de matérias-primas críticas em África, incluindo terras raras, fluorita e gálio.
Em Moçambique, opera através da subsidiária Monte Muambe Mining (MMM), titular de uma licença de mineração de 25 anos no projecto Monte Muambe, em Moatize, província de Tete, onde já declarou recursos de terras raras segundo o padrão internacional JORC e conduz estudos técnicos para avaliar a viabilidade de exploração e processamento local.
























































