A Organização Mundial do Comércio (OMC) pretende mobilizar 5 mil milhões de dólares em investimento privado para impulsionar a indústria transformadora do algodão em África e reduzir a exportação de matérias-primas, anunciou em Maputo a directora-geral da instituição, Ngozi Okonjo-Iweala, citada pela agência Lusa.
Falando na reunião de ministros africanos do Comércio, a responsável explicou que actualmente cerca de 90% de aproximadamente um milhão de toneladas de algodão produzidas no continente são exportados sem transformação, enquanto apenas 2% são processados localmente. A meta é que, na próxima década, os países africanos consigam transformar até 25% da produção, agregando valor e fortalecendo a cadeia têxtil.
“A OMC tem-se empenhado em apoiar os países africanos, incentivando esforços para agregar valor à colheita e desenvolver a cadeia de valor do algodão para a indústria têxtil e para Governos”, afirmou Okonjo-Iweala, acrescentando que a organização está a trabalhar com agências internacionais para atrair investimento e apoiar o desenvolvimento industrial.
Além do sector têxtil, a OMC pretende apoiar África no comércio de minerais críticos e no comércio digital, segmento que tem registado crescimento acelerado no continente. Segundo a directora-geral, as exportações africanas de serviços prestados digitalmente cresceram 15% em 2024, embora representem apenas 1% do comércio global nessa área. “Temos muito espaço para crescer e a OMC pode ajudar a fornecer o ecossistema para que África beneficie dessas novas oportunidades”, sublinhou.
A responsável apelou ainda ao apoio dos ministros africanos às reformas internas da OMC, defendendo o fortalecimento do comércio multilateral num contexto que classificou como de “piores ruturas políticas dos últimos 80 anos”, marcado por acções unilaterais que fragilizam as regras globais.
Para a organização, África deve intensificar esforços para deixar de ser predominantemente exportadora de matérias-primas, que ainda representam cerca de 60% das exportações do continente, e apostar na produção de bens e serviços de maior valor acrescentado, criando empregos, sobretudo para jovens.
Na abertura do encontro, a primeira-ministra, Benvinda Levi, defendeu que África deve pugnar por maior justiça nas negociações agrícolas internacionais e promover a inclusão digital no comércio electrónico.
Moçambique acolhe a reunião ministerial que deverá culminar com a adopção da Declaração Ministerial de Maputo, documento que consolidará a posição africana a apresentar na 14.ª Conferência Ministerial da OMC.



























































